‘Correr é um remédio’, diz participante de 11 edições da Corrida de Reis
Cuiabana mantém relação contínua com a corrida de rua e soma 11 participações na Corrida de Reis.
Aos 46 anos, a jornalista, professora e pesquisadora Julianne Caju mantém uma relação contínua com a corrida de rua. Ao longo de 15 anos de corridas de rua, ela participou 11 vezes da tradicional Corrida de Reis e define a prática como um apoio essencial para atravessar diferentes fases da vida. “Correr é um remédio”.

A ligação com a maior prova do Centro-Oeste começou em 2011 e se mantém desde então. Ao longo desse período, Julianne já participou 11 vezes da Corrida de Reis, sempre encarando o percurso como um compromisso pessoal, mais do que uma competição. “Nesses 15 anos correndo em provas de rua, já venci algumas competições na minha categoria, assim como também já cheguei em último lugar em um revezamento Cuiabá–Chapada”.
A corrida entrou na rotina após um período afastada da atividade física. O retorno foi gradual, começando com caminhadas e, aos poucos, com a introdução da corrida. “Eram 50 minutos caminhando e 10 correndo. Fui diminuindo a caminhada e aumentando a corrida, até que a corrida ficou”.
Desde então, a prática nunca mais saiu da sua vida. Lesões, gravidez e fases intensas de trabalho interromperam os treinos em alguns momentos, mas não a relação com o esporte. “Nunca desisti da corrida, e nem ela de mim”.
Julianne não se define como atleta profissional. “Eu digo que brinco de correr”. Segundo ela, a corrida nunca esteve ligada à estética ou modismo, mas ao cuidado com a saúde física, mental e espiritual. “É o meu jeito de colocar o corpo em movimento”.
Cuiabana de “chapa e cruz”, criada no CPA, ela sempre praticou esportes, com passagens pelo handebol, vôlei e futebol. Foi aluna do professor Luiz Tamba, referência do handebol em Cuiabá, que faleceu no último sábado (27). “Ele teve um papel importante na minha formação”.
Ao longo dos anos, a corrida também passou a marcar momentos importantes da vida pessoal e acadêmica. A participação na Corrida de São Silvestre aconteceu pela primeira vez em 2017, como forma de celebrar a conclusão do mestrado. O retorno ocorreu neste ano, na 100ª edição da prova, para comemorar a defesa da tese de doutorado, concluída em novembro.
A experiência teve ainda um significado familiar. Julianne levou o pai, de 72 anos, para assistir à prova ao vivo, realizando um sonho antigo. Ao conferir a lista oficial da corrida, encontrou o próprio nome em meio aos 55 mil inscritos.

Para Julianne, correr é também aprendizado. “Na corrida e na vida, postura, respiração e constância importam. Parar é deixar de florescer”.
Hoje, manter o corpo em movimento segue sendo um compromisso pessoal. “A corrida me cura, me salva e não me deixa me perder de mim mesma”.
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