Com cadeira adaptada, pai e filha vivem emoção da Corrida de Reis

Sonho antigo virou realidade com apoio, persistência e afeto.

A linha de chegada da Corrida de Reis não marca apenas o fim de uma prova. Para quem participou da edição deste ano, ela representou histórias de superação que vão muito além dos quilômetros percorridos.

Entre os corredores, estava quem corre empurrando uma cadeira, quem voltou às pistas depois de 15 anos parado, quem enfrentou dores na coluna e no joelho e quem fez da corrida um recomeço de vida. Cada passo carregava um motivo diferente, mas todos tinham algo em comum: o desejo de seguir em frente.

largada corrida de reis
A Corrida de Reis reuniu histórias de superação, encontros e recomeços ao longo de cada Km – Foto: Primeira Página

Na categoria PCD, a superação também veio em família. Desde 2019, a Corrida de Reis era um sonho guardado na imaginação da família de Alexandre Marim, guarda municipal e pai da Rebeca. Cadeirante, com paralisia cerebral e intelectual, ela sempre demonstrou amor pelo esporte e pela corrida, mesmo sem nunca ter conseguido participar da prova.

pai e filha
Pai e filha cruzaram juntos a Corrida de Reis, transformando esforço e cuidado em uma história de superação – Foto: Reprodução/TVCA

Para transformar esse desejo em realidade, Alexandre saiu de Cáceres ainda de madrugada. No caminho, veio o imprevisto: o pneu furou. Não havia borracharia, nem bicicletaria. Restou a decisão de seguir. “Vamos na raça”, disse à filha.

Com uma cadeira adaptada comprada por meio de doações, Rebeca finalmente conseguiu viver a Corrida de Reis que imaginava há anos.

“Ela ama o esporte, ama a corrida. Eu vi que ela ficou ali meio triste, olhando. Aí ela falou: ‘Pai, a gente não vai?’. Eu falei: ‘Bora então, vamos desse jeito mesmo’”, contou.

A decisão veio acompanhada de obstáculos. Alexandre saiu de Cáceres ainda de madrugada para chegar a tempo da prova, enfrentando cansaço, imprevistos no caminho e a responsabilidade de conduzir a cadeira durante todo o percurso. Nada disso, porém, foi suficiente para fazer ele desistir.

Empurrando a filha quilômetro após quilômetro, ele transformou o esforço físico em gesto de cuidado. Rebeca seguiu atenta ao movimento, sentindo o ambiente, as pessoas, a vibração da corrida, algo que, por anos, parecia distante da realidade.

Para Alexandre, ver a filha ali, no meio de tantos corredores, foi a confirmação de que valeu a pena insistir. “Era um sonho nosso. Desde 2019 a gente falava disso. Hoje, estar aqui já é uma vitória”, resumiu.

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