Voluntários emprestam pernas e cadeirantes participam de corridas
Projeto visa a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida em eventos esportivos
Os ventos da corrida trouxeram de Joinville (SC) para Mato Grosso do Sul o projeto Pernas Solidárias. Criada em 2016 na cidade catarinense pelo corredor Cleiton Tamazzia, a iniciativa teve início três anos depois em Campo Grande e funciona da seguinte forma: voluntários participam de eventos de corrida emprestando as próprias pernas para pessoas com mobilidade comprometida.

? Ouça abaixo a reportagem da Morena FM:
A servidora pública e advogada Daniele David, 44 anos, é uma delas. “Eles são os atletas. Eles são as estrelas do evento, nós somos apenas as pernas emprestadas. Nós corremos conduzindo essas pessoas em triciclos próprios para corrida que são seguros e têm cinto de segurança num tamanho padrão”, explicou.
A equipe responsável pelo programa é pequena, conta hoje com quatro pessoas, mas isso vira mero diante da grandeza de ver nos olhos dos beneficiados a possibilidade viver o que antes era impensável.
Dona de 12 medalhas e um troféu, Giulianne Olmedo, 21 anos, é uma das cadeirantes que puderam sentir a sensação de correr, mesmo com todos os empecilhos físicos. Com má formação cerebral e baixa visão, ela está no projeto desde o início.
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“Para mim significa tudo. Porque com os professores eu posso correr e gritar. Chegou no melhor momento da minha vida. É puro amor”, disse. A mãe da jovem, Catarina, 46 anos, claro, é uma das maiores entusiastas do projeto.
“Eu vejo dedicação, o carinho deles. Eu como mãe, o que a gente puder fazer para ajudar o projeto, estamos sempre prontos. Amo essa turma, são essenciais em amor, só quem participa que tá ali pra ver. Eu queria que todo mundo experimentasse essa sensação, a Giulianne fala: mãe, eu tô voando”, conta.
Neste caso as asas podem ser chamadas de inclusão. “Trazer para a vida do esporte essas pessoas que de uma maneira ou outra já ficam afastadas da sociedade. Queremos que elas sintam aquela adrenalina que só quem faz a prática do esporte consegue sentir”, resume Daniele.
Maria José, 36 anos, também é cadeirante e diz que fazer parte do grupo mudou a vida dela. “Sou uma pessoa mais ativa, mais alegre”.
Evento
O Pernas Solidárias está entre os inscritos na Corrida Sangue Bom, no próximo dia 25, em Campo Grande. Iniciativa do ex-paciente oncológico Carlos Alberto Rezende, o professor Carlão, este ano o evento terá trecho homologado pela FAMS (Federação do Atletismo de Mato Grosso do Sul) o que a torna uma corrida oficial.
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