Promessa de MT: adolescente acumula conquistas nos tambores
Ana Clara de Abreu Nicoli, de 14 anos, moradora de Sinop, a 503 km de Cuiabá, vem acumulando conquistas em Mato Grosso e no Brasil na Prova dos Três Tambores. Neste ano, ela já disputou o Grand Prix, considerada a maior competição da modalidade na América Latina, e conquistou o 2° lugar, na categoria Jovem B. Ela credita as vitórias à fé, à base familiar e à dedicação pessoal.

Montado no cavalo da raça quarto de milha, a Prova dos Três Tambores consiste em fazer ciclos em volta de três tambores no menor tempo possível. O competidor deve realizar um giro pra direita e dois pra esquerda, ou alternado. Os tambores não podem ser derrubados, caso contrário conta como penalidade.
Como tudo começou
Ana começou no esporte com apenas 8 anos de idade. A paixão pela Prova dos Três Tambores vem de família. O tio também compete e deu o primeiro potrinho para a sobrinha.
“Quando conheci, foi amor à primeira vista. Assim, comecei fazer aulas. Praticamente com uma semana já fui pra minha primeira competição. No início eu era um pouco mais cautelosa, mas depois que fui conhecendo melhor os cavalos, e firmei conjunto com o cavalo que eu competia, ganhei confiança e perdi o medo”, disse a garota ao Primeira Página.
A adolescente não hesita em afirmar o quão é “maravilhoso” entrar na pista e se entregar ao máximo. O friozinho na barriga e adrenalina fazem o esporte ter a essência, segundo ela.
“Antigamente eu me cobrava bastante, e assim não ia tão bem. Aprendi a entrar na pista para me divertir e fazer o que eu mais amo. A melhor sensação que existe é competir e sentir o vento do cavalo. Um dos meus maiores sonhos é ganhar Barretos, que é o maior rodeio do Brasil e ser campeã do Potro Futuro, que é uma categoria que corremos com potros”, conta a competidora.
Além do 2° lugar no Grand Prix, que foi um sonho realizado pela garota, Ana acumula outras dezenas de troféus e fivelas numa prateleira, na casa dela. No entanto, para ela, um tem um gosto especial: a dos 50 anos da Lei ABQM (Associação Brasileira dos Quarto de Milha).
“É uma menina muito focada. Criamos uma dinâmica de ir bem em casa e nos estudos, para depois vir aos treinos. Isso ajuda muito, pois é necessário ter uma disciplina. A rotina é assídua. Ela vem e treina todos os dias. Muito dedicada com o que ela quer fazer, para alcançar os horizontes. Ela sabe que pode melhorar, então está sempre em busca de mais. Por isso que admiramos a evolução dela. Ana já tem uma habilidade própria”, conta o professor da competidora, Patrick Marques.

Representar Sinop e o estado de Mato Grosso
O fato de representar a capital do Nortão e o estado de Mato Grosso é um sonho realizado para Ana Clara. “Competir nos estados sempre foi meu sonho, além de trazer os títulos pra cá”, diz.
Através do esporte, ela já conheceu vários municípios de Mato Grosso, e de São Paulo como Araçatuba, Porto Feliz e Avaré, onde ocorrem algumas das principais Provas dos Três Tambores.
Base familiar
A mãe, que também já competiu a Prova dos Três Tambores, não esconde o orgulho.
“Tudo o que ela faz é com muito foco. Teve os momentos difíceis. Esse é o terceiro Grand Prix que participamos, e algumas vezes ela saía frustrada, porque não havia alcançado um objetivo. Mas eu dizia para ela que, com perseverança, ela iria alcançar. Não podia desistir”, relata a mãe, Alessandra Nicoli.
“É graças a eles que eu consigo tudo isso. Eles que me ajudam e me apoiam. São fundamentais em toda minha trajetória. É graças a uma equipe que eu alcanço esses resultados”, enalteceu Ana Clara.
Desafios e próximos passos
Ana fala que o maior desafio é manter a constância em todas as provas. “É muito difícil dar uma bela passada em todas as provas, e formar conjunto com o animal. O tempo é o maior desafio. Tem que manter um foco. Cada cavalo é um cavalo. Quando vou mal alguma vez, penso: vou focar na próxima”, explicou.
Na escola, Ana estuda de manhã e treina à tarde. Ela revela que é complicado conciliar esses dois fatores, mas que tem conseguido dar conta, já que as competições ocorrem nos finais de semana.
A cada mês, Ana Clara tem desafios diferentes. Já em abril, ela competirá no Congresso da Lei ABQM. “Vamos tentar o título novamente”, projeta a competidora.

Relação com o cavalo
Ana conta que o esporte é uma satisfação pra ela. Que quando há dias que ela não está muito bem, ela sai de casa e interage com o animal. “Só pelo fato de fazer carinho e montar, já me passa uma paz muito grande”, afirma.
“Ela sempre foi uma menina muito tímida, e o cavalo deu uma força e uma coragem pra ela se impor e conseguir falar o que ela sentia. O cavalo é muito especial. Ele tem uma força e traz uma alegria que não tem explicação. Só quem vive, sabe”, explica a mãe, Alessandra.
Perseverança
Para quem está começando ou quer iniciar na Prova dos Três Tambores, Ana ressalta a força de vontade em vencer no esporte.
“O começo pode não ser fácil, mas é muito importante sempre batalhar, porque o que ajuda é minha fé em Deus. Tem que correr atrás, e se dedicar bastante”, indicou a competidora.
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