Bioceânica: Rota 4 é estratégica para negócios entre MS e Chile
Bioceânica de capricórnio é a única que irá ligar diretamente o estado aos portos chilenos
Autoridades e empresários brasileiros e chilenos se reuniram, nesta quarta-feira (3), em Campo Grande para uma rodada de negócios Brasil-Chile, com foco nas oportunidades trazidas com a Rota Bioceânica, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico, potencializando o comércio entre os dois países.

O evento, organizado pela Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), contou com a presença da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, das autoridades chilenas Álvaro García (ministro de Fomento e Turismo do Chile), Ricardo Díaz Cortés (governador regional de Antofagasta) e José Miguel Carvajal (governador regional de Tarapacá).
A rota
O Chile é um dos principais destinos das exportações brasileiras na América do Sul, e que será um dos principais beneficiados com a implantação da nova rota 4 (Bioceânica de Capricórnio), que irá ligar Porto Murtinho, no sul do Estado, aos portos chilenos.
Segundo a Ministra de Estado do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, tanto a ponte símbolo da Rota, em Porto Murtinho, quanto a alça da rota estarão prontas até o fim do ano que vem.
“Nós já aditamos e, inclusive, colocamos mais recursos — são R$ 551 milhões só para a alça. No valor total, porque não é só isso que precisa, nós temos a questão da alfândega, da segurança de fronteira, da conectividade de internet… Se colocarmos tudo isso na conta, passamos de R$ 600 milhões — fora os mais de R$ 10 bilhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que estão sendo executados aqui em Mato Grosso do Sul.”
Simone Tebet.
Com a promessa de menor custo e uma viagem mais rápida, a expectativa é que o corredor bioceânico irá trazer vantagens comerciais ao Mato Grosso do Sul na exportação de produtos, como o setor de carnes. Serão cinco rotas, que devem passar também pelo Paraguai e Argentina, além de outros estados brasileiros.
A rota 4 irá realizar o ligamento do Brasil aos portos de Iquique, Antofagasta e Mejillones. O traçado se articula com as Rotas 3 e 5, também contém possibilidades multimodais: a ferrovia, que liga Corumbá com Santos (SP) e entra a 650 km na Bolívia, e a hidrovia do Rio Paraguai, que corre para o Sul e desenha a fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai, passa por Assunção e Rosario (potência do agro argentino) e chega a Buenos Aires, já no litoral Atlântico, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento.
O Chile é o 7º maior comprador de produtos sul-mato-grossenses, respondendo por 2% de tudo o que o estado exporta. A carne é o principal destaque atualmente, com 360 mil toneladas da proteína destinadas ao país. Os novos trajetos previstos com o Corredor Bioceânico devem reduzir custos e o tempo de transporte desses produtos.
Para o governador do estado, Eduardo Riedel (PP), trata-se de um importante meio para ampliar a cooperação com outros países da Ásia.
“Nós estamos falando do Sudeste Asiático. Estamos falando da China, do Japão — que agora abre mercado para a carne —, e de uma série de outros países: Vietnã, Indonésia, Malásia, Singapura (que é um hub onde estivemos) e também da questão da importação.
Eduardo Riedel.
É importante lembrar que o Brasil também é um grande consumidor de produtos manufaturados, que poderão, por meio do Chile e de toda essa estrutura logística, acessar com mais facilidade o mercado da América do Sul.”

Atualmente, o estado exporta 360 mil toneladas de carne bovina ao Chile, e para chegar ao Chile, o produto tem três meios de sair de MS: de Ponta Porã até Assunção no Paraguai, do Paraná rumo a Argentina e do Rio Grande do Sul até a Argentina, para chegar ao Chile.
Para o presidente da Zofri (Zona Franca de Iquique), cidade portuária que será beneficiada com a rota, a parceria com o Brasil é estratégica, permitindo a troca comercial de produtos e serviços em diversos setores.
“Para nós é extremamente estratégico, porque entendemos que o Brasil, é praticamente um continente, portanto é indispensável uma relação estratégica com eles. Sem ir mais longe, no ano 2024, ou seja, o ano passado, o intercambio bilateral comercial superou os US$ 12.500 milhões de dólares, portanto, se torna um parceiro estratégico que permite para nosso país, por exemplo, solicitar ou demandar carne de alta qualidade, maquinário pesado e químicos, por exemplo.
Iván Berríos Camilo, presidente da Zofri (Zona Franca de Iquique)

Para Sérgio Longen, presidente da FIEMS, o crescimento com a rota é esperado para os diferentes setores do estado.
“Eu acredito que todos os parceiros que estão aqui estão, de certa forma, comprometidos com um objetivo muito claro: fazer com que a Rota se torne, de fato, um canal de integração com os países asiáticos — mas, acima de tudo, com as oportunidades que esse mercado pode gerar para o Mato Grosso do Sul. A expectativa é que isso estimule, cada vez mais, o comércio entre o Chile e o Mato Grosso do Sul, além de fortalecer as relações com os demais países que irão integrar a Rota, facilitando o avanço da iniciativa privada.”
Sérgio Longen.
O sucesso da rota também trará benefícios para quem busca investir em Campo Grande, conforme a prefeita, Adriane Lopes (PP).
“E hoje estamos acompanhando de perto a concretização desse grande projeto de desenvolvimento econômico para a capital de Mato Grosso do Sul e para todo o Estado. O projeto reúne o Governo Federal, o Governo Estadual e os prefeitos das cidades que farão parte dessa rota, todos trabalhando juntos para enfrentar nossos desafios e garantir que ela se torne realidade em um curto espaço de tempo. A união desses esforços faz com que os empresários comecem a vislumbrar novas possibilidades de negócio e isso para Campo Grande é muito positivo.”
Adriane Lopes
A Rota 4 tem como principais produtos exportados automóveis, colheitadeiras, tratores, pulverizadores agrícolas, carnes de bovino frescas e papel para escrita. Já as importações estão concentradas em milho, farinha de trigo, leite integral, alho, azeitona, peras e uvas.
Há o potencial para aumentar as vendas de bens de consumo final, alimentos e máquinas para os países da América do Sul. A integração também pode uma saída dos produtos brasileiros pelos portos no Oceano Pacífico, a fim de chegarem aos mercados emergentes da Ásia Pacífico.
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