Com 'beijo' histórico, ponte que vai ligar Brasil ao Chile entra na reta final de construção
A união definitiva das duas estruturas ainda dependa de alguns trabalhos técnicos e deve ocorrer na próxima semana
Após anos de obras, “o beijo” entre Brasil e Paraguai na Ponte Bioceânica finalmente aconteceu. A construção entrou em sua reta final e a primeira etapa da união entre as frentes de trabalho dos dois países foi realizada; embora o encontro visual já seja uma realidade sobre o Rio Paraguai, as equipes correm contra o tempo para os ajustes milimétricos para que a estrutura seja selada em definitivo.

A Ponte da Rota Bioceânica vai ligar Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta. A estrutura faz parte de um corredor internacional que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e foi construída em duas frentes: uma pelo lado brasileiro e outra do paraguaio.
A colocação da última aduela (a peça final de concreto que fecha o espaço existente entre as duas extremidades construídas simultaneamente) é uma das etapas mais complexas e simbólicas do projeto, que começou há quatro anos.

Embora o “beijo”, como é conhecida popularmente, já seja uma realidade, a união definitiva das duas estruturas ainda dependa de alguns trabalhos técnicos e deve ocorrer na próxima semana. É o que explica o engenheiro René Gómez, superintendente de obras do Consórcio Binacional Paraguai-Brasil (PYBRA).
“Precisamos fazer uma revisão completa da topografia. Com os sensores já instalados, temos que medir a resistência dos cabos e, em seguida, passar os dados coletados para o projetista, para que ele tenha uma opinião e uma posição sobre a conexão final das estruturas, no sentido de qual cabo precisaria ser mais tensionado ou qual ponto precisa ser mais elevado”.
René Gómez
A etapa é tão importante que contou com a participação do projetista da ponte, o italiano Mario de Miranda. “Ao longo do tempo, todos os requisitos e exigências previstos no projeto foram atendidos. Agora, precisamos apenas colocar os reforços finais na junta e também resolver alguns detalhes relacionados às cordas, mas nada muito complicado”, especificou.
Após a conclusão estrutural da ponte, começam os trabalhos de pavimentação, acabamento, instalação de sistemas de segurança e outras obras complementares necessárias para a sua entrada em funcionamento.

Com investimento de R$ 500 milhões e pouco mais de 1,2 mil metros de extensão, a estrutura terá um trecho suspenso e sustentado por cabos de aço tensionados, de 632 metros, e um vão principal de 350 metros, projetado para preservar a navegabilidade do rio Paraguai e permitir a passagem de grandes embarcações.
A Rota Bioceânica – megaestrada que liga Mato Grosso do Sul ao Chile, passando por Paraguai e Argentina – promete ser a nova rota comercial entre os oceanos Atlântico e Pacífico, encurtando o tempo de transporte e, por consequência, os valores.
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