Cuiabá cresce para o alto e número de moradores em apartamentos dobra
A cidade que nasceu espalhada pelo chão quente e pelas ruas largas agora também muda de perfil com prédios cada vez mais altos.
Cuiabá está crescendo para o alto. Em pouco mais de duas décadas, o número de moradores vivendo em apartamentos quase dobrou na capital e já passa de 98 mil pessoas. Hoje, mais de 15% da população cuiabana mora em edifícios, segundo dados do Censo de 2022, movimento que vem transformando não só o jeito de morar, mas também a própria paisagem da cidade.

Para o historiador Suelme Fernandes, o edifício representa um momento importante da cidade. “Representa uma vontade de modernização, de integração de Cuiabá às principais cidades do Brasil, como uma forma de superar o atraso em relação a outras regiões”, explica.
Do alto de um dos prédios mais tradicionais do centro, a vista ajuda a contar essa mudança. A Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus e outras igrejas históricas ainda marcam o horizonte da capital, mas agora dividem espaço com edifícios que avançam cada vez mais na paisagem urbana.
Os números da verticalização na capital
Em duas décadas, o número de moradores em apartamentos quase dobrou em Cuiabá e já representa mais de 15% da população da cidade.
Um dos símbolos dessa transformação é o edifício Maria Joaquina, entre as ruas Cândido Mariano e Pedro Celestino, no Centro de Cuiabá. Inaugurado há 57 anos, em 1969, o prédio tem 15 andares e 52 apartamentos e é considerado um marco da verticalização da cidade e de Mato Grosso.
Há 16 anos, o empresário Flávio Ribeiro mora no local e diz que a escolha está diretamente ligada à qualidade de vida. “Hoje, o mais importante pra mim é estar perto da família, do trabalho, da escola dos filhos, da igreja. Isso não tem preço”, conta.
O edifício também guarda curiosidades que ajudam a entender outro tempo de Cuiabá. Não tem garagem e, para muitos moradores, a área de lazer sempre foi a Praça Alencastro, logo ao lado. Mesmo assim, continua sendo escolha de famílias que valorizam a localização, a praticidade e a ligação afetiva com o centro da capital.
Essa mudança no perfil habitacional aparece nos números. Em 2000, cerca de 52 mil pessoas viviam em apartamentos em Cuiabá. Em 2022, esse total saltou para 98 mil, indicando um crescimento expressivo da verticalização na capital.
E essa tendência não dá sinais de desaceleração. Novos empreendimentos em bairros valorizados, como o Santa Rosa, reforçam esse avanço, com projetos de alto padrão e torres cada vez mais altas, voltadas a um público que busca conforto, segurança, localização estratégica e ganho de tempo no dia a dia.
Segundo o diretor de produtos Gilson Porto, a procura mostra a força do mercado. “Tem muita demanda por esse tipo de produto. Mesmo faltando menos de dois anos para a entrega, mais de 80% já foi vendido”, afirma.
Para ele, o momento econômico também influencia. “O mercado aqui tem um ritmo diferente, com forte ligação ao agronegócio. Muitas vendas acontecem após os períodos de safra”, explica.
Às vésperas de completar 307 anos, Cuiabá segue em transformação. Sem deixar de lado sua história, a capital agora cresce também em direção ao céu.
Segundo representantes do setor imobiliário, a procura por apartamentos tem crescido justamente por causa da praticidade e da qualidade de vida. A lógica, para muitos moradores, é simples: viver mais perto de serviços, trabalho e áreas estratégicas da cidade, reduzindo deslocamentos e aproveitando melhor o tempo com a família.
O presidente do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT), Marco Sérgio Pessoz, aponta que o comportamento do consumidor mudou. “As pessoas querem morar mais perto do trabalho, reduzir o tempo de deslocamento e passar mais tempo com a família. Isso pesa muito na decisão”, diz.
Mas o crescimento para o alto também traz desafios. Para especialistas, é fundamental que o poder público acompanhe esse avanço. “É preciso planejar a cidade, prever o impacto dessas construções, o fluxo de pessoas e de veículos”, alerta Pessoz.
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