Cuiabá do futuro: plano prevê 10 mil moradias verdes e ônibus 100% elétrico
Documento que traça metas de infraestrutura urbana e desenvolvimento da cidade deve valer pelos próximos 10 anos
Transporte público 100% elétrico, construção de 10 mil novas moradias com plantas no telhado, todos dos bairros com quadras poliesportivas e plantio de 350 mil árvores até 2036 estão entre os principais objetivos da Prefeitura de Cuiabá no novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da cidade.
Uma prévia do documento foi apresentada na tarde de quinta-feira (10) pelo prefeito Abilio Brunini (PL).

O plano diretor é o instrumento básico de planejamento urbano que organiza o crescimento e o funcionamento das cidades brasileiras. O documento é obrigatório para municípios com mais de 20 mil habitantes, mas deve ser adotado por cidades menores com problemas de crescimento desordenado, áreas de proteção ambiental ou interesse turístico relevante.
Conforme divulgado pela gestão municipal, os pontos principais das mudanças que devem ocorrer nos próximos anos estão na infraestrutura e mobilidade urbana, associadas a um desenvolvimento sustentável com prioridade no meio ambiente.
Para elaborar o plano diretor, que deve valer pelos próximos 10 anos, foi necessário fazer um diagnóstico prévio da situação atual da cidade. Entre os principais desafios elencados a serem superados estão calor extremo, excesso de asfalto e redução de áreas verdes, fiação aérea desordenada no centro histórico e infraestrutura inadequada.
Principais desafios de Cuiabá no Plano Diretor
Episódios de calor acima de 40°C
Excesso de asfalto e redução de áreas verdes
Fiação aérea desordenada
Redes sob pavimento e falta de espaços públicos
Expansão desordenada
Vazios urbanos
Alto custo de infraestrutura
Segregação socioespacial
Mobilidade insuficiente
Falta de resiliência climática
Dependência de automóvel
Rios e córregos degradados
Segundo a gestão municipal, para romper com o padrão atual, a prefeitura deve implementar um modelo de “cidade viva”, resgatando a arborização da cidade, requalificação do centro histórico, mobilidade urbana em modelo de pirâmide invertida com os pedestres no topo, e implementação de prevenção de alagamentos e regulação térmica por meio de parques lineares e infraestrutura verde.
?Revitalização do Centro Histórico
Considerado o “coração de Cuiabá”, o tricentenário centro histórico enfrenta situação de abandono há décadas. Com casarões deixados sem ocupação pelos antigos donos e à beira do desabamento por falta de reformas, há também grande quantidade de fios de energia elétrica expostos, mesmo sem uso, causando poluição visual e risco de acidentes.
Outro ponto é o esvaziamento do local por parte de comerciantes e moradores devido à insegurança por assaltos, trânsito de dependentes químicos entre as ruas e tráfico de drogas no período noturno, diante da má iluminação pública e desuso da região.

Segundo descrito no novo plano diretor, a alternativa é iniciar uma revitalização por etapas. No primeiro momento, serão feitos planejamento e projetos. Em 5 anos, deve ser feito 100% do rebaixamento da fiação de energia elétrica no local, como forma de combater a poluição visual, deixar os céus mais limpos, arquitetura mais visível, infraestrutura mais resiliente e sistema subterrâneo moderno.
Outro ponto destacado prevê a desapropriação de imóveis abandonados pelos donos para criação de um polo cultural na região, garantindo visitação de cuiabanos e de turistas. Com isso, serão feitas a restauração de fachadas dos casarões e revitalização de praças e espaços públicos.
Em seguida será feito o monitoramento do local para garantir a segurança e a circulação de pessoas.
??♂️Mobilidade Urbana
Atualmente Cuiabá enfrenta trânsito sobrecarregado em função de obras de drenagem e da implantação do BRT (Bus Rapid Transit), que, entre sua transição do antigo VLT, já dura mais de uma década. Para contornar estes problemas, foi pensado o conceito de “caminhabilidade”.
O intuito é trabalhar a mobilidade em modelo de pirâmide invertida, em que pedestres estão no topo, em seguida ciclistas, depois os ônibus do transporte coletivo e, por fim, os carros. A intenção é aumentar a “mobilidade ativa” e reduzir em até 30% o uso do transporte individual, evitando o foco exclusivo nos carros.

O Cuiabá Card, bilhete único integrado para BRT, ônibus e ciclovias, deve ser implementado. Além disso, está prevista a transição do transporte coletivo para uma frota de 100% elétrica e, até 2029, devem ser construídos 50 km de ciclovias.
?Arborização e redução do calor
Chegando aos 44ºC em alguns meses do ano, o título de capital calorosa passou de um sinônimo afetivo para um problema climático. Além do conforto térmico, a situação impacta diretamente no cotidiano e até na saúde dos cidadãos. Para isso, uma série de transformações serão tomadas para retomar o título de “Cidade Verde”, a começar pelo sistema de drenagem.
Um modelo de “infraestrutura verde-azul”, relacionado à água e plantas, é descrito para a retomada da resiliência climática da cidade. A recuperação da arborização em calçadas deve atingir 5% ao ano, enquanto a permeabilidade mínima será de 25%, o que deve contribuir para a redução da temperatura, mas também evitar alagamentos durante chuvas.
O resgate das margens de rios e córregos é outro ponto enfatizado, transformando-os em corredores verdes. Para isso, rios canalizados e ignorados como barreiras, serão pensadas formas de integração de bairros com o rio, criando áreas de convívio e soluções baseadas na natureza e parques lineares.

A poda total de árvores será considerada predatória e inaceitável, e a pretensão é de plantio de até 200 mil árvores até 2030 e 350 mil árvores até 2026.
O Jardim Botânico também deve ser revitalizado em até 5 anos e ser ocupado como local de educação ambiental, pesquisa científica, lazer e turismo de natureza.

?Habitação com eficiência térmica
Demanda crescente na capital, a habitação impacta diretamente na vida da população, que, sem alternativas, se vê obrigada a adentrar ocupações irregulares em bairros que nascem de forma clandestina com invasão de terrenos e áreas sem uso.
Para suprir esta lacuna, é projetada a construção de 10 mil novas moradias, cuja eficiência térmica será critério obrigatório. Para isso, serão adotadas no projeto de construção da residência paredes isotérmicas, sistema de ventilação natural e telhado verde, com plantas no teto da moradia.
Em 10 anos, a meta é que 100% dos bairros tenham quadras poliesportivas, sendo o planejamento em 3 fases. A fase 1, expansão e construção, começará em 2026 e deve durar até 2029; a fase 2, revitalização e integração, será de 2030 a 2033; já a fase 3, manutenção e consumo, será de 2034 a 2036.
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