Cuiabano que morou 10 anos na Irlanda cria plataforma para denunciar buracos na capital
Criador da plataforma BuracosMT, Wagner Rosati conta que a iniciativa surgiu há 15 anos e funcionava como um espaço de protesto pessoal em uma página nas redes sociais.
Fotos de buracos, ruas alagadas ou postes sem iluminação podem parecer apenas mais uma reclamação nas redes sociais. Mas, uma iniciativa independente criada em Cuiabá em 2011 voltou, em agosto deste ano, em novo formato, com proposta de transformar queixas de moradores em denúncias registradas e facilitar o acompanhamento dos problemas de infraestrutura urbana.
A plataforma BuracosMT, que também funciona como aplicativo para celular, permite que moradores de Cuiabá e demais cidades de Mato Grosso enviem fotos e localização de buracos, vazamentos de água, esgoto a céu aberto, alagamentos, falta de iluminação pública, terrenos baldios, obras paradas e estacionamento irregular.

Ao Primeira Página, o criador do projeto, Wagner Rosati da Costa Carvalho, contou que a ideia surgiu de uma forma mais simples e funcionava como um espaço de protesto pessoal em uma página do Facebook, há 15 anos.
Alguns dias após criar a página, Wagner começou a receber comentários de outras pessoas enviando fotos dos problemas encontrados por elas na cidade. Com o passar do tempo, a página deixou de ser um espaço particular e passou a mostrar buracos por toda Cuiabá e problemas no trânsito, como veículos estacionados irregularmente.
“Eu estava esgotado de tantos buracos e tendo bastante prejuízo com desgastes do carro, e me sentia com as mãos atadas, já que o poder público nada fazia.”
— contou o criador da plataforma BuracosMTEm 2016, o designer se mudou para a Irlanda e acabou deixando o projeto de lado. Mas, diferente do que ele imaginou, a página continuou ativa na internet e, mesmo sem uma atuação frequente, continuava recebendo algumas denúncias ao longo dos anos.
“Mais de dez anos depois, as mensagens continuam chegando. Gente mandando foto de buraco, de rua alagada, de obra sem sinalização, de poste apagado”, diz trecho da apresentação da plataforma online.
Para Wagner, o fato de moradores continuarem procurando o BuracosMT mesmo depois de anos sem atualizações mostrou que havia uma demanda por um espaço onde os problemas pudessem ser registrados. Foi justamente esse movimento que ajudou a motivar a retomada do projeto.
Projeto virou plataforma e app 📲⚠️
De volta ao Brasil no ano passado, Wagner decidiu retomar a iniciativa. Desta vez, aproveitou a experiência profissional como designer e desenvolvedor para transformar a antiga página em uma plataforma online e aplicativo disponível para celulares Android.
Após o envio das informações do problema urbano encontrado pelo usuário, a ocorrência passa a integrar um mapa público, permitindo acompanhar os registros e visualizar o andamento dos casos em diferentes regiões de Mato Grosso.
BuracosMT
Como funciona?
O cidadão registra o problema encontrado em uma via.
O relato é enviado por e-mail ao órgão que entendemos ser responsável pela via.
Não há canal oficial ou acesso privilegiado. A resposta depende do órgão responsável.
E os status das denúncias?
Os status exibidos na plataforma representam apenas retornos voluntários recebidos pelos responsáveis ou registros feitos pela própria equipe do BuracosMT. Eles não são informações oficiais dos órgãos públicos.
Um dos diferenciais da nova plataforma é o contador de dias: cada ocorrência tem o registro do tempo em que o problema está sem solução.
A ideia é transformar uma reclamação isolada em uma cobrança pública documentada. Em vez de apenas publicar uma foto nas redes sociais, o morador registra o problema, informa onde ele está e acompanha sua situação.
Experiência fora do país mudou olhar sobre infraestrutura
Durante entrevista ao Primeira Página, Wagner também explicou que a experiência morando fora do país influenciou a forma como ele passou a enxergar os problemas urbanos de Cuiabá.
Uma das diferenças percebidas, segundo o designer, é na forma como obras e reparos são executados.

Ele cita como exemplo situações presenciadas na Irlanda, em que um buraco era reparado sem demora e a malha asfáltica permanecia em boas condições por muito tempo, além do cuidado com sinalização e segurança de pedestres e motoristas durante as obras.
“Existe um cuidado de acabamento, diferente de Mato Grosso onde as vias parecem todas remendadas”, afirma.
Denúncia é encaminhada ao órgão responsável
O sistema também busca identificar, de forma automática, qual órgão seria responsável pela situação denunciada, considerando se a via é municipal, estadual ou federal. Depois, a denúncia é encaminhada por e-mail ao órgão correspondente.
O BuracosMT deixa claro, porém, que não possui um canal oficial ou acesso privilegiado aos órgãos públicos. As denúncias podem ser encaminhadas por qualquer cidadão e, apesar da proposta, não garantem que haverá garantia de resposta.
Por outro lado, quando existe um retorno, o status da ocorrência pode ser atualizado. O órgão responsável também pode informar a situação por meio de um link direto, sem necessidade de criar uma conta na plataforma.
Segundo o criador, esse é justamente um dos desafios da nova fase do projeto: fazer com que o poder público acompanhe os registros.
“Eu continuo denunciando, e o desafio agora é trazer o poder público para acompanhar os posts, pois no final das contas são eles que têm a caneta para poder fazer algo depois das denúncias”
— pontuou Wagner RosatiMais lidas - 1 Minha Casa, Minha Vida: prefeitura divulga lista de contemplados e próximos passos
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