Inauguração em 2001 x Guns N' Roses em 2026: o autódromo chegou, o congestionamento ficou

Em 2001, 50 mil pessoas travaram 18 km de rodovia na inauguração do autódromo. Em 2026, o mesmo cenário se repetiu.

A inauguração do Autódromo Internacional Orlando Moura entrou para a história da capital sul-mato-grossense muito antes de qualquer carro cruzar a linha de chegada. Era dia 5 de agosto de 2001 e a 6ª etapa da Fórmula Truck prometia ser o evento do ano. Cerca de 50 mil pessoas foram rumo ao km 12 da BR-262, na saída para Três Lagoas, e com elas, um congestionamento de 10 quilômetros que paralisou a rodovia por horas. Pelo menos 20 mil carros ficaram presos na rodovia.

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Em 2001, quilômetros de congestionamento se formaram na inauguração do Autódromo Internacional de Campo Grande (Foto: Reprodução TV Morena)

A dinâmica foi registrada pelo repórter Edson Godoy e equipe, da TV Morena, que documentou a logística e a tentativa dos espectadores de chegar ao evento automobilístico. O circuito foi projetado para ser um dos principais cenários do automobilismo nacional: 28 boxes, 25 camarotes e capacidade para 35 mil espectadores. A pista técnica logo atraiu categorias como Stock Car Pro Series, Copa Truck, NASCAR Brasil e Turismo Nacional. Mas o legado daquela tarde não era só esportivo, era também um aviso que o tempo tratou de ignorar.

Veja reportagem sobre a inauguração do Autódromo Internacional de Campo Grande em 2001 (Crédito: Arquivo/TV Morena)

9 de abril de 2026: bem-vindos de volta ao passado

Vinte e cinco anos depois, o Autódromo Internacional Orlando Moura voltou a ser palco de um evento de escala inédita para Campo Grande. O Guns N’ Roses — com Axl Rose, Slash e Duff McKagan, com estimativa de cerca de 35 mil pessoas para a noite de quinta-feira (9). O show faz parte da turnê mundial da banda, intitulada “Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things”. O problema é que a rodovia de acesso ao local é praticamente a mesma de 2001. E o roteiro do caos também.

Show Guns N’ Roses: imagem de drone mostra fila quilométrica de veículos rumo ao Autódromo Internacional de Campo Grande (Crédito: Ariovaldo Dantas)

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Nessa quinta-feira (9), a fila começou a se formar na BR-262 por volta das 15 horas e seguiu travada até as 22 horas. Em dias normais, o trajeto do centro até o autódromo leva cerca de 30 minutos. Na noite do show, o deslocamento chegou a ultrapassar cinco horas.

Sem paciência para o engarrafamento, muitos fãs desceram dos ônibus e carros e seguiram a pé pelas margens da rodovia após esperar horas no congestionamento quilométrico. Às 21h45, a produção realizou um pronunciamento no palco pedindo compreensão e alegando atraso na apresentação da banda por conta da logística.

A volta foi tão caótica quanto a ida. O estacionamento tinha apenas uma saída para milhares de veículos, e quem deixou o carro ali enfrentou três horas de fila só para sair do local, mais duas horas de congestionamento na BR-262 em seguida. A rodovia só foi completamente liberada às 6h50 da manhã desta sexta-feira (10), quase sete horas após o encerramento do show. Muitos fãs chegaram em casa já de dia.

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Evento atrasou e fãs não conseguiram chegar no local – Foto: Diogo Nolasco

O problema de sempre: só tem uma estrada

Mesmo com ações coordenadas por Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e Polícia Militar (PM), a operação não foi suficiente para evitar o congestionamento generalizado. A BR-262 é o único acesso ao autódromo, não duplicada, sem rotas alternativas. Sem frota especial de transporte coletivo, grande parte do público dependeu exclusivamente de veículos particulares para chegar e sair do evento.

O show do Guns N’ Roses reforça o potencial de Campo Grande para receber grandes atrações internacionais. Mas expõe, com a mesma clareza de 2001, que a cidade ainda não resolveu a equação básica: um autódromo com capacidade para dezenas de milhares de pessoas, servido por uma rodovia de pista simples sem saída alternativa.