O que sobrou da Copa de 2014? Veja como estão hoje as 12 cidades-sede
Com custo bilionário para muitos municípios, obras prometidas não saíram do papel até hoje
Com o fim da participação do Brasil na Copa do Mundo 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, fica a pergunta de muitos: o que aconteceu com as cidades brasileiras que abrigam os jogos mundiais em 2014? O Primeira Página reunião informações de todos os municípios e estádios que receberam as partidas.

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Estádio Mané Garrincha – Brasília (DF)
O Estádio Mané Garrincha foi o mais caro entre as 12 arenas construídas ou reformadas para a Copa do Mundo de 2014. A obra custou mais de R$ 1,4 bilhão, sem considerar a atualização monetária dos valores. Localizado ao lado do Plano Piloto, no início da Asa Norte, o estádio foi projetado para receber 72 mil torcedores.

A estrutura, completamente circular, é marcada por 288 pilares de concreto que sustentam uma cobertura formada por uma membrana apoiada em estrutura metálica, um dos principais destaques do projeto arquitetônico.
Além do estádio, o Mundial trouxe a promessa de uma série de intervenções urbanas em Brasília, como melhorias na mobilidade, construção de túneis, passarelas e implantação do VLT. No entanto, boa parte dessas obras nunca foi concluída.
Durante a Copa, o Mané Garrincha recebeu sete partidas oficiais, entre elas o confronto entre Brasil e Camarões, pela fase de grupos.
Após o Mundial, o estádio enfrentou dificuldades para manter uma agenda constante de jogos. A situação mudou em 2019, quando passou a ser administrado pela iniciativa privada, ampliando a realização de shows, eventos e outras atrações, reduzindo a dependência do calendário do futebol. Parte dos antigos camarotes também foi transformada em escritórios e lajes corporativas, permitindo que o complexo seja utilizado diariamente.
Arena da Amazônia – Manaus (AM)
A Arena da Amazônia custou cerca de R$ 700 milhões e foi construída sobre o antigo Estádio Vivaldão, demolido para dar lugar à nova estrutura. Projetada para receber 44 mil torcedores, está localizada em uma das principais avenidas de Manaus, que liga o aeroporto ao centro da cidade.

Com certificação ambiental LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, Liderança em Energia e Design Ambiental, em tradução livre), a arena foi construída em concreto e aço e ganhou uma membrana branca translúcida que remete ao formato de um cesto artesanal, inspirado na cultura amazônica.
O estádio recebeu quatro partidas da Copa do Mundo de 2014 e, dois anos depois, foi novamente utilizado em um grande evento internacional ao sediar seis jogos do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
A Copa também previa diversas obras de infraestrutura no entorno da arena. Algumas foram entregues apenas parcialmente e outras sequer saíram do papel, como a implantação do corredor BRT.
Hoje, a Arena da Amazônia é administrada pelo poder público e recebe uma programação diversificada, com partidas de futebol, grandes shows, festas juninas, eventos culturais e até casamentos. Apesar da variedade de eventos, o custo de manutenção permanece elevado, girando em torno de R$ 1 milhão por mês.
Arena Pantanal – Cuiabá (MT)
A Arena Pantanal custou aproximadamente R$ 650 milhões e foi construída no lugar do antigo Estádio Verdão. Projetada para receber 44 mil torcedores, está localizada próxima à região central de Cuiabá.

A Copa trouxe a promessa de uma série de investimentos em infraestrutura para a capital mato-grossense. Algumas melhorias viárias e projetos de paisagismo foram executados, mas boa parte das intervenções ficou pelo caminho. Das 52 obras previstas, apenas 14 foram concluídas, enquanto outras nove acabaram abandonadas, entre elas o VLT, que já havia consumido mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos.
Arquitetonicamente, a Arena Pantanal se diferencia das demais por possuir uma planta retangular formada por quatro módulos, com grandes vãos laterais que favorecem a circulação do ar e ajudam a proporcionar maior conforto térmico ao público.
O estádio recebeu quatro jogos da Copa do Mundo e atualmente é administrado pelo Governo de Mato Grosso. Além das partidas de futebol, a arena também recebe shows e diversos eventos locais. O custo de manutenção é de aproximadamente R$ 700 mil por mês.
Arena das Dunas (atualmente Casa de Apostas Arena das Dunas) – Natal (RN)
A Arena das Dunas, atualmente chamada Casa de Apostas Arena das Dunas, custou cerca de R$ 400 milhões e foi projetada para receber 43 mil torcedores. Durante a Copa do Mundo, sediou quatro partidas oficiais.

O estádio se destaca pelo projeto arquitetônico de geometria orgânica, formado por uma sequência de estruturas que lembram pétalas. Localizada em uma área central de Natal, a arena impulsionou o desenvolvimento da rede hoteleira no entorno.
A realização da Copa também previa uma série de obras de mobilidade e infraestrutura para a cidade. No entanto, diversas intervenções ficaram inacabadas ou sequer foram executadas, entre elas o túnel de macrodrenagem, viadutos e corredores exclusivos de ônibus.
Hoje, a arena é administrada por meio de uma parceria público-privada. Após a venda dos naming rights para uma empresa do setor de apostas, passou a adotar o nome atual. Além dos jogos de futebol, o espaço recebe shows, eventos corporativos, feiras e até cultos religiosos.
Arena Corinthians (atualmente chamada Neo Química Arena) – São Paulo (SP)
A Arena Corinthians, atualmente chamada Neo Química Arena, custou cerca de R$ 1 bilhão e foi construída para receber aproximadamente 49 mil torcedores. Durante a Copa do Mundo, a capacidade foi ampliada para mais de 68 mil pessoas com a instalação de arquibancadas temporárias. O estádio está localizado em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

Erguida especialmente para o Mundial, a arena entrou para a história ao receber a partida de abertura da Copa de 2014, entre Brasil e Croácia. Ao todo, sediou seis jogos, incluindo uma das semifinais da competição.
O principal destaque arquitetônico é a imponente fachada de vidro, que abriga um dos maiores painéis de LED do mundo. A cobertura metálica também chama a atenção por proteger praticamente todos os assentos do estádio.
A construção foi acompanhada da promessa de uma série de melhorias urbanas para a Zona Leste, incluindo novos acessos, ampliação da malha viária, passarelas e obras de mobilidade. Parte desses projetos foi executada, mas outras intervenções acabaram sendo reduzidas ou não saíram do papel.
Hoje, a arena é administrada pelo Corinthians e recebe partidas do clube, grandes shows, eventos corporativos e visitas turísticas.
Entre as promessas que nunca foram concluídas está o monotrilho da Linha 17-Ouro. A estrutura inacabada se tornou um dos símbolos do legado incompleto da Copa e, atualmente, parte dos trilhos já está tomada pela vegetação.
Estádio Beira-Rio – Porto Alegre (RS)
A reforma do Beira-Rio custou cerca de R$ 330 milhões e modernizou completamente o estádio, que passou a ter capacidade para aproximadamente 50 mil torcedores. Localizado às margens do Lago Guaíba, próximo ao centro de Porto Alegre, o estádio foi adequado para atender às exigências da FIFA sem perder suas características históricas.

Ao contrário de outras arenas da Copa, o Beira-Rio não foi reconstruído. O projeto priorizou uma ampla modernização da estrutura existente, incluindo a instalação de uma cobertura metálica sobre praticamente todas as arquibancadas, além da renovação completa da fachada e dos espaços internos.Durante o Mundial, recebeu cinco partidas oficiais.
A Copa também trouxe investimentos em mobilidade e revitalização urbana. Parte das intervenções foi concluída antes do torneio, mas outras demoraram anos para sair do papel.
Um exemplo foi a duplicação da Avenida Tronco, entregue apenas em abril de 2025, pouco antes da enchente histórica que atingiu Porto Alegre. Outros projetos sequer avançaram, como a duplicação do trecho 2 da Avenida Voluntários da Pátria e a construção de um terminal rodoviário ao lado da estação São Pedro do metrô.
Hoje, o Beira-Rio pertence ao Internacional e mantém uso constante ao longo do ano, recebendo partidas do clube, grandes shows e eventos corporativos.
Arena Fonte Nova – Salvador (BA)
A Arena Fonte Nova custou aproximadamente R$ 690 milhões e foi construída no local do antigo estádio, demolido após um acidente em 2007. Com capacidade para cerca de 48 mil pessoas, está localizada próxima ao Centro Histórico de Salvador.

Seu projeto arquitetônico chama a atenção pelo formato circular e pela cobertura metálica leve, parcialmente aberta para valorizar a paisagem da capital baiana.
Durante a Copa do Mundo, recebeu seis partidas, incluindo o histórico confronto entre Holanda e Espanha, que terminou com a goleada holandesa por 5 a 1.
Além da construção da arena, Salvador recebeu diversas obras de mobilidade urbana. Parte delas foi concluída, enquanto outras sofreram atrasos ou tiveram o projeto reduzido.
Um dos principais legados da Copa para a cidade foi a expansão do sistema de metrô. Em 2025, o modal completou dez anos de operação, alcançando 38 quilômetros de extensão, 22 estações e 10 terminais de integração, transportando cerca de 400 mil passageiros por dia.
Apesar disso, algumas intervenções só ficaram prontas anos depois do Mundial. A ligação entre a estação Acesso Norte e o Aeroporto Internacional de Salvador, por exemplo, foi entregue apenas em abril de 2018.
Hoje, a Arena Fonte Nova é administrada por uma parceria público-privada e recebe jogos do Bahia, grandes shows nacionais e internacionais, eventos corporativos e celebrações religiosas.
Arena Pernambuco – Recife (PE)
A Arena Pernambuco custou cerca de R$ 740 milhões e foi construída para receber aproximadamente 46 mil torcedores. Localizada em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, a arena fazia parte de um projeto muito maior.

A expectativa era que o estádio fosse o ponto central da chamada Cidade da Copa, um empreendimento que previa bairros planejados, áreas comerciais, serviços e novos empreendimentos imobiliários. No entanto, grande parte desse projeto nunca saiu do papel.
Por conta da localização, a população vê o monumento ficar vazio grande parte do ano, uma vez que o acesso ao estádio é bastante limitado, não chamando atenção de organizadores de eventos.
Com arquitetura moderna, linhas retas e cobertura metálica sobre boa parte das arquibancadas, a arena recebeu cinco partidas da Copa do Mundo.
Atualmente, o estádio é administrado pelo Governo de Pernambuco e recebe jogos do Sport, Náutico e Retrô, além de shows e diversos eventos. O estado gasta, por mês, cerca de R$ 700 mil para manter a estrutura.
No legado da mobilidade, parte das obras foi executada apenas parcialmente. É o caso do Corredor Caxangá, do BRT Leste/Oeste e do BRT Norte/Sul.
Outro exemplo é o Terminal Integrado Cosme e Damião, que conecta o metrô às linhas de ônibus. Embora tenha sido entregue, o equipamento atende cerca de mil passageiros por mês, um número considerado baixo para uma região metropolitana com aproximadamente 3,7 milhões de habitantes.
Arena Castelão – Fortaleza (CE)
A Arena Castelão passou por uma ampla reforma para receber a Copa do Mundo de 2014. A modernização custou aproximadamente R$ 520 milhões e transformou o estádio, que passou a ter capacidade para cerca de 63 mil torcedores. Localizado em uma das principais avenidas de Fortaleza, foi o primeiro estádio entregue entre as 12 cidades-sede do Mundial.

O projeto preservou parte da estrutura original e incorporou uma nova cobertura metálica, além da modernização completa das arquibancadas, da fachada e dos espaços internos.
Durante a Copa, o Castelão recebeu seis partidas, incluindo o empate entre Brasil e México pela fase de grupos.
As obras também contemplaram melhorias viárias e de mobilidade no entorno do estádio. Grande parte foi concluída antes do torneio, mas alguns projetos acabaram sendo simplificados ao longo da execução. Um dos exemplos é o sistema de BRT, que teve o projeto original reduzido e deu lugar a intervenções viárias mais simples.
Hoje, a Arena Castelão é administrada pelo Governo do Ceará e mantém intensa movimentação ao longo do ano. Além de receber partidas de Ceará e Fortaleza, o estádio também sedia grandes shows, eventos esportivos e atrações culturais. O custo para os cofres públicos, por mês, varia de R$ 750 mil a R$ 900 mil.
Estádio Mineirão – Belo Horizonte (MG)
A reforma do Mineirão custou aproximadamente R$ 700 milhões e modernizou completamente um dos estádios mais tradicionais do futebol brasileiro. Com capacidade para cerca de 62 mil torcedores, o estádio está localizado na região da Pampulha, ao lado da lagoa e próximo à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O projeto preservou a fachada tombada como patrimônio histórico, enquanto toda a parte interna foi reconstruída para atender aos padrões internacionais da FIFA. A arena ganhou uma nova cobertura metálica, arquibancadas remodeladas e sistemas sustentáveis para reaproveitamento de água e economia de energia.
Durante a Copa do Mundo, o Mineirão recebeu seis partidas, incluindo a histórica semifinal entre Brasil e Alemanha, marcada pela derrota brasileira por 7 a 1.
Além da modernização do estádio, Belo Horizonte recebeu investimentos em mobilidade urbana e melhorias viárias na região da Pampulha. No entanto, algumas intervenções demoraram anos para serem concluídas.
Foi o caso da Via 710, corredor que liga as regiões Leste e Nordeste da capital ao longo de quase cinco quilômetros. Embora prevista para a Copa, a obra só foi finalizada em fevereiro de 2023, quase nove anos depois do Mundial.
Atualmente, o Mineirão é administrado pela iniciativa privada e recebe jogos de Cruzeiro e Atlético-MG, além de grandes shows, eventos corporativos e visitas turísticas.
Arena da Baixada (atualmente chamada de Ligga Arena) – Curitiba (PR)
A Arena da Baixada, atualmente chamada Ligga Arena, passou por uma ampla modernização para receber a Copa do Mundo. As obras custaram cerca de R$ 390 milhões e ampliaram a capacidade do estádio para aproximadamente 43 mil torcedores. Localizada em uma região central de Curitiba, a arena já era considerada uma das mais modernas do país antes mesmo da reforma.

Para atender às exigências da FIFA, recebeu ampliação das arquibancadas, cobertura completa e diversas melhorias estruturais. Durante a Copa de 2014, sediou quatro partidas oficiais.
Além da reforma do estádio, Curitiba também realizou investimentos em mobilidade urbana e infraestrutura. Segundo a prefeitura, a maior parte das obras previstas foi entregue. Ainda assim, alguns projetos sofreram atrasos ou acabaram modificados.
Entre eles está a ampliação do Terminal Santa Cândida, concluída apenas em 2019, cinco anos após o Mundial. Já o corredor de BRT que ligaria o Aeroporto Afonso Pena à Rodoferroviária acabou sendo considerado inviável e foi substituído por um corredor expresso.
Hoje, a Ligga Arena pertence ao Athletico Paranaense e recebe partidas do clube, grandes shows, eventos esportivos e corporativos.
Maracanã – Rio de Janeiro (RJ)
O Maracanã passou por uma das maiores reformas da Copa do Mundo de 2014. A modernização custou cerca de R$ 1,2 bilhão e transformou completamente o estádio, que manteve capacidade para aproximadamente 79 mil torcedores. Localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, continua sendo o estádio mais emblemático do futebol brasileiro.

Embora a fachada histórica tenha sido preservada, praticamente toda a estrutura interna foi reconstruída. O estádio ganhou uma nova cobertura, arquibancadas remodeladas, assentos individuais e áreas modernas de hospitalidade.
Durante a Copa, o Maracanã recebeu sete partidas, incluindo a grande final entre Alemanha e Argentina, que consagrou os alemães como campeões mundiais.
Além da reforma da arena, o Rio de Janeiro executou importantes obras de mobilidade urbana e integração com o transporte público. Grande parte desses projetos foi entregue às vésperas da Copa ou somente depois, impulsionada também pelos Jogos Olímpicos de 2016.
Apesar disso, nem todas as intervenções previstas foram executadas. Entre os projetos que ficaram apenas no papel estava a construção de um novo porto, descartada cerca de um ano antes do Mundial devido a problemas de planejamento.
Hoje, o Maracanã é administrado por meio de concessão à iniciativa privada e segue como palco dos principais jogos de Flamengo e Fluminense. Além do futebol, recebe grandes shows internacionais, eventos esportivos e cerimônias de diferentes portes.
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