UFMT alertou para erro técnico em obra de retaludamento no Portão do Inferno
Estudo da universidade já havia alertado para problemas no solo e questionava orçamento e prazos; quase R$ 10 milhões foram gastos mesmo com a obra paralisada.
A Universidade Federal e Mato Grosso (UFMT) já havia alertado ao governo do Estado de que a obra de retaludamento não seria adequada para solucionar o impasse no Portão do Inferno, na MT-251, rodovia que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães.
A obra que iniciou no final do ano passado está paralisada a cerca de três meses e não deve ter continuidade.
Isso, porque foi identificado problemas no terreno que não havia sido identificados inicialmente, o que compromete a execução do retadulamento.

O fato foi duramente criticado por técnicos da UFMT, uma vez que a obra já consumiu cerca de R$ 10 milhões dos cofres públicos. Sgundo o geólogo da Universidade, Caiubi Kuhn, o alerta foi feito quando o governo do Estado ainda não havia batido o martelo quanto ao tipo de intervenção que seria realizada na região.
“O prazo de 120 dias anunciado era irreal, o valor de R$ 29 milhões também era irreal. E hoje nós sabemos disso. A obra ainda não foi executada de fato, e ao que tudo indica será abortada ou não vai ser realizada. Mesmo assim, foram gastos quase R$ 10 milhões, com mais de R$ 8 milhões em aditivos ao valor inicial e mudanças no prazo da obra ao longo do tempo”, afirmou o geólogo.
Caiubi ainda defende que o governo abandone a proposta atual e inicie um novo projeto, mais adequado às condições geológicas do local.
“É um projeto que tem muitas consequências negativas e que, ao meu ver, seria mais adequado o governo abandonar essa proposta e partir para outra que seja mais adequada para o local”, reforçou.
Diante do impasse, a equipe técnica da Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso, responsável pela obra, está elaborando um novo estudo de viabilidade para definir os próximos passos.
De acordo com Mauro Mendes, a expectativa é que o levantamento seja concluído até o final deste mês.

O que é o retaludamento?
O retaludamento consiste na retirada do maciço rochoso na curva do Portão do Inferno e a criação de taludes, uma série de cortes, que funcionam como degraus para impedir os deslizamentos de terra.
Com isso, a estrada será recuada em dez metros, evitando também a passagem sobre o viaduto que existe hoje no local.

O contrato inicial era de R$ 29,5 milhões com a empresa Lotufo Engenharia e Construção. O prazo para finalizar a obra é de 120 dias que inclusive já passou a muito tempo pouco foi feito.
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