Casal homoafetivo adota 3 irmãos e viraliza mostrando cotidiano da família

Carlos Henrique Ruiz e Lucas Rabello Monteiro adotaram Kawã, Edgar e Ketlin. Processo de adoção começou em 2019 e foi efetivado em 2022 com os registros das crianças.

Juntos desde 2009, o casal Carlos Henrique Ruiz, de 36 anos, e Lucas Rabello Monteiro, de 31 anos, sempre sonharam em ter filhos e formar uma grande família, mas isso foi algo que eles só conseguiram realizar em 2020, graças ao processo de adoção. Hoje, eles são pais de Kawã, Edgar e Ketlin. A família faz sucesso mostrando o cotidiano nas redes sociais, por meio do perfil @paisde3.

Após adoção, família faz sucesso na internet. (Vídeo: Redes Sociais)

Eles contam que deram entrada no processo de adoção em 2019, depois que Lucas passou em frente à Vara da Infância e Juventude de Araruama, no Rio de Janeiro, onde moram, e pegou informações.  

“A gente viu que facilitaria muito o processo se fizéssemos a união estável. Pensando no bem dos nossos filhos e no processo fizemos a união estável. Depois a gente passa para a habilitação, que é o curso para adoção”, contou Lucas. 

No mês seguinte, em fevereiro, uma turma foi formada e eles conseguiram fazer o curso, junto com outras pessoas que também desejavam adotar. Em seguida, passaram por entrevistas com psicólogos e assistentes sociais, para serem habilitados.  

“Demorou cerca de 10 meses pra gente se habilitar e foi até rápido”, disse Carlos. Segundo Lucas, antes de iniciar o processo, eles ficaram preocupados que pudessem sofrer algum tipo de preconceito, mas não foi o que aconteceu.  

“Não teve nada do que a gente ouve dizer por aí. Tivemos pessoas incríveis ao nosso lado durante o processo, que ajudaram muito a gente, desde o médico que deu o laudo, ao pessoal da Vara da infância. Foram muito parceiros”, enfatizou.  

Depois de habilitados, eles entraram na fila de adoção e lembram que haviam definido durante o processo que seria para duas crianças, de até oito anos, de qualquer etnia ou gênero.  

Pai de 3 foto I
Carlos e Lucas deram início ao processo de adoção em 2019. (Foto: Amanda Plati)

“Mas não foi isso que aconteceu. Isso mudou um pouquinho depois. Em seguida, a gente já estava aberto para o caso de uma terceira criança. A gente já tinha pensado, que se fossem dois meninos que viessem para nós, nós continuaríamos na fila para uma menina, ou vice-versa”, conta Carlos.  

O encontro

A primeira vez que souberam dos filhos foi por meio de um grupo no Whatsapp em maio de 2020, que reúne interessados na adoção, e afirmam que sentiram uma ligação imediata. 

“Não tinha foto e não tinha muitas informações. Era só a inicial de cada nome e a idade de cada um. A gente, naquele momento, identificou que eram nossos filhos, mesmo sem fotos, sem nada. Foi uma ligação espiritual”, afirma Carlos.

Mesmo com as poucas informações, eles entraram em contato com a cegonha, que é a pessoa que faz a ponte em os pais interessados, a Vara da Infância e Juventude e os Abrigos.  

“Primeiro perguntamos se as crianças aceitavam um casal homoafetivo. Porque poderia ser uma questão. Mas, elas aceitavam. A gente ficou superfeliz e pedimos para fazer o contato. A Vara foi muito cautelosa com a gente, porque as crianças tinham acabado de ser devolvidas por outros pretendentes. Já estavam sendo encaminhadas para uma adoção Internacional e seriam separados”. 

Mas, ao serem adotadas por Carlos e Lucas, as crianças continuaram juntas. A primeira vez que eles foram para a casa do casal foi em 18 julho de 2020. A ideia era que eles passassem 15 dias, mas a juíza entendeu que estava tudo dando certo e que era melhor para Kawã, Edgar e Ketlin ficarem definitivamente com o casal. Por isso, não voltaram mais para o abrigo.

O processo de adoção foi encerrado em dezembro de 2021, mas as certidões com o nome de Carlos e Lucas como pais foi emitido em julho de 2022. Hoje, eles formam uma família única, que compartilha com seus quase 100 mil seguidores o dia a dia.  

“As redes sociais são um recorte de tudo que a gente vivencia. Mas, tem sido algo incrível para naturalizar tudo isso. Para que mais pessoas tenham coragem de seguir em frente nessa vontade de ter a sua família, do jeito que for: seja apenas um pai, uma mãe”, finalizaram os pais.  

 
 
 
 
 
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