IA entra na rotina de jovens e desafia famílias a mediar uso

Um dos maiores problemas é confundir o papel da inteligência artificial como ferramenta de apoio e transformá-la em solução para questões mais complexas

A inteligência artificial (IA) já não é mais tendência, mas realidade na vida de jovens brasileiros. Pesquisas mostram que sete em cada dez universitários e candidatos à graduação utilizam IA em seus estudos, segundo levantamento da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), divulgado pela Agência Brasil.

ChatGPT fora do ar: usuários relatam instabilidade nesta terça-feira (10). (Foto: Reprodução/ Internet)
ChatGPT no Brasil. (Foto: Reprodução/ Internet)

Plataformas como ChatGPT e Gemini funcionam por algoritmos capazes de processar dados, aprender padrões e responder a comandos em linguagem natural. Isso permite que estudantes resolvam dúvidas, criem resumos ou exercícios de forma quase instantânea. A popularização dessas ferramentas começou em 2024 e segue crescendo.

IA na escola e em casa

Para Pedro Gadelha, empresário de inovação e pai de dois adolescentes, o impacto da IA é comparável ao da calculadora décadas atrás. “Ela abre portas, mas o raciocínio precisa vir do aluno. O jovem precisa ser piloto, não passageiro”, diz.

Pedro Gadelha e filhos
Pedro e seus dois filhos. (Foto: Reprodução)

Ele aponta três benefícios: autonomia no aprendizado, estímulo à curiosidade e preparo para o mercado de trabalho. Mas alerta: “A informação chega mastigada. É fundamental estimular o pensamento crítico e supervisionar o uso, como qualquer plataforma da internet”.

Atenção à saúde mental

Segundo o Relatório Norton Cyber Safety Insights: Connected Kids, quase 40% dos pais relatam que seus filhos recorrem à IA para companhia ou apoio emocional. “A IA não foi feita para lidar com questões profundas. Não substitui o acolhimento humano”, alerta Gadelha.

trend viral
Trend viral com ChatGPT preocupa especialistas ao simular aconselhamento emocional. (Foto: Reprodução IA)

A psicopedagoga Márcia Amorim Pedr’Ângelo, coordenadora da Unesco para educação em MT e MS, destaca que a IA deve ser equilibrada: “Oferece recursos valiosos, mas não substitui a mediação humana. A escola precisa valorizar explanação e escrita para estimular pensamento crítico”

Ela reforça a importância de limites de tempo de tela e atividades presenciais. “O adulto deve acompanhar e mediar, promovendo interações reais esportes, clubes de leitura, contato com a natureza. O objetivo é qualidade, não apenas conforto”.

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