'Acabei de trocar tiro': mensagens de WhatsApp trocadas por PMs reforçam denúncia
Ministério Público aponta que áudios reforçam a tese de simulação para encobrir homicídio
As mensagens extraídas dos celulares dos policiais militares denunciados pelo assassinato do advogado Renato Gomes Nery trouxeram novos elementos que reforçam a acusação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sobre a existência de um confronto forjado para acobertar o crime. O conteúdo integra a denúncia oferecida à Justiça Militar nessa quarta-feira (11).
De acordo com o MP, os áudios revelam não apenas a troca de informações entre os PMs logo após o crime, mas também frases que detalham a execução e a tentativa de criar uma falsa narrativa de confronto.

Em uma das mensagens, o policial Wailson Alessandro Medeiros Ramos afirma: “Acabei de trocar tiro aqui nega!”.
Em outro trecho, repete: “Acabei de trocar tiro tá?”. Já em um áudio do dia seguinte, o PM descreve os ferimentos: “Cara tomou um disparo na porra do peito, transfixou, deu hemotórax que é sangue né, drenaram o sangue dele, o filho da puta não morreu cara!”.
Segundo a investigação, as gravações se somam a outras provas que indicam que o grupo formado por Jorge Rodrigo Martins, Wailson Ramos, Weckcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso teria implantado armas e alterado a cena do crime para simular o confronto armado.
Áudios e o núcleo de obstrução
O que diziam os áudios
Os áudios extraídos dos celulares traziam frases como: “Acabei de trocar tiro aqui nega!”, “Acabei de trocar tiro tá?” e “Cara tomou um disparo na porra do peito, transfixou, deu hemotórax…”.
De quem eram os áudios
Os áudios foram atribuídos ao pm Wailson Alessandro Medeiros Ramos, um dos denunciados pelo Ministério Público.
Núcleo de atuação
O pm Wailson e os policiais Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso e Weckcerlley Benevides integravam o núcleo de obstrução. Este grupo foi responsável por forjar o confronto, implantar armas na cena do crime e dificultar as investigações sobre o assassinato de Renato Nery.
A perícia concluiu que não houve troca de tiros e que os disparos partiram da arma dos próprios policiais. Nenhum dos veículos envolvidos tinha perfurações, o que contraria a versão oficial apresentada no boletim de ocorrência.
Os áudios, de acordo com o Ministério Público, indicam a intenção dos acusados de manipular a narrativa e frustrar as investigações. Por isso, o MP pediu à Justiça a prisão preventiva dos quatro denunciados ou, alternativamente, a aplicação de medidas cautelares como recolhimento noturno, suspensão das funções, monitoramento eletrônico e proibição de contato com testemunhas.

Dois dos policiais, Jorge Rodrigo Martins e Leandro Cardoso, já haviam sido denunciados anteriormente na Operação Simulacrum, que apurou execuções forjadas por PMs em 2022. O caso de Renato Nery, segundo o MP, repete o mesmo padrão de adulteração da cena do crime.
Agora, cabe à Justiça Militar decidir se recebe a denúncia e atende aos pedidos cautelares feitos pelo MP.
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