Acusação aponta vingança e motivo torpe em pedido para levar Bernal a júri popular

Para o MPMS, a tentativa de classificar Roberto Mazzini como invasor ou bandido apenas reforça a motivação considerada torpe

Nas alegações finais de acusação, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sustenta que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, matou o empresário Roberto Carlos Mazzini movido por vingança e pelo inconformismo com a perda de um imóvel adquirido pela vítima. Nos argumentos finais apresentadas à 1ª Vara do Tribunal do Júri, a 19ª Promotoria de Justiça pede que Bernal seja pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado.

Alcides Bernal
Alcides Bernal chegando ao fórum de Campo Grande. (Imagem: Diogo Nolasco)

Segundo a acusação, Roberto Mazzini havia ido ao local acompanhado de chaveiro para abrir o imóvel que havia adquirido.

De acordo com o Ministério Público, Bernal foi alertado pelo sistema de monitoramento sobre a presença de pessoas na residência e se dirigiu ao endereço já portando uma arma de fogo. A denúncia afirma que ele surpreendeu a vítima e efetuou os disparos que provocaram sua morte.

Nas alegações finais, a promotoria afirma que o acusado “agiu impelido pelo sentimento de vingança” por não aceitar a perda do imóvel e por ainda acreditar ter direito sobre a propriedade. Para os promotores, a tentativa de classificar Roberto Mazzini como invasor ou bandido apenas reforça a motivação considerada torpe.

“Compulsando os autos, tem-se que a motivação homicida do acusado foi torpe, visto que o denunciado agiu impelido pelo sentimento de vingança, mais precisamente porque não aceitava a perda do imóvel para a vítima e ainda acreditava ter direito sobre ele”, diz acusação.

Roberto Carlos Mazzini, fiscal tributário estadual morto pelo ex-prefeito Alcides Bernal (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Roberto Carlos Mazzini, fiscal tributário estadual morto pelo ex-prefeito Alcides Bernal (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O Ministério Público destaca ainda que a documentação juntada ao processo comprova que a propriedade do imóvel pertencia à vítima e sustenta que Bernal agiu de forma repentina, dificultando qualquer possibilidade de reação.

Durante o interrogatório, Bernal admitiu ter efetuado os disparos, mas alegou legítima defesa, afirmando que acreditava estar diante de invasores armados. A promotoria, porém, considera que a versão apresentada pelo acusado é incompatível com os depoimentos das testemunhas e com as provas periciais produzidas ao longo da investigação.

Além da qualificadora de motivo torpe, o Ministério Público defende a manutenção das qualificadoras de meio cruel e do recurso que dificultou a defesa da vítima, bem como o aumento de pena em razão da idade de Roberto Mazzini, que tinha mais de 60 anos.

“Ante o exposto, o réu Alcides Jesus Peralta Bernal incidiu nas penas do artigo 121, §§ 2º, incisos I (motivo torpe), III (meio cruel) e IV (recurso que dificultou a defesa da vítima), com as implicações da Lei 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos), e 4º, parte final (vítima maior de 60 anos) do Código Penal, em relação à vítima Roberto Carlos Mazzini, bem como o artigo 150 do Código Penal e artigo 14 (porte ilegal de arma de fogo) da Lei 10.826/03, em concurso material de crimes (artigo 69 do Código Penal),  razão pela qual o Ministério Público Estadual requer a PRONÚNCIA do réu, para que seja submetido a julgamento perante o Egrégio Tribunal do Júri”, pede o MPMS.

Caso a Justiça acolha o pedido da acusação, Alcides Bernal será submetido ao júri popular.

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.

Leia também em Justiça!

  1. primeira pagina 2026 07 07T173157.200

    Policiais militares são absolvidos 10 anos após desaparecimento de jovem em Rosário Oeste

    Três policiais foram absolvidos por falta de provas no caso de Ronaldo...

  2. primeira pagina 2026 06 12T150955.220

    Idoso agredido em elevador de condomínio em Cuiabá diz que teme cruzar com policial vizinho

    Após soltura de Luciano Testa, idoso diz viver com medo, nega mudança...

  3. TJMT 1

    TJMT libera repasse de consignados para uma empresa e mantém bloqueio para investigadas

    TJMT autorizou o repasse dos consignados à Eagle, mas manteve retidos em...

  4. Motoristas de aplicativo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

    Denúncias de passageiros impedem motorista de voltar à Uber; entenda

    Um motorista de aplicativo de Cuiabá teve a conta desativada por usar...