Em júri, réu defende mãe e diz que ela tentou fazê-lo desistir de morte por vingança em Cuiabá
Vanderley Barreiro afirmou ter enviado uma mensagem pedindo para que o assassinato não fosse cometido e defendeu que a mãe tentou fazê-lo desistir da vingança.
O réu Vanderley Barreiro da Silva, de 32 anos, surpreendeu o júri ao afirmar que tentou impedir o assassinato dos lojistas Gersino Rosa dos Santos e Cleyton de Oliveira de Souza Paulino, mortos no Shopping Popular de Cuiabá, em 2023. Ele disse ainda que a mãe, Jocilene Barreiro da Silva, apontada como coautora, tentou fazê-lo desistir do crime e não teve participação na execução.
Durante o depoimento, Vanderley contou como conheceu Sílvio Júnior Peixoto, acusado de ser o executor dos disparos. Segundo ele, o primeiro contato ocorreu quando desabafou com Sílvio sobre a morte do irmão e admitiu que não tinha coragem de vingar o crime. O colega, então, teria se oferecido para “fazer o serviço”. Ao lembrar do irmão, Vanderley se emocionou e afirmou que vivia atormentado com o sofrimento da mãe após a perda.

Na sequência, Vanderley relatou como o crime foi combinado. Disse que pediu que Sílvio fosse a Cuiabá, mas que sua mãe decidiu acompanhá-lo na viagem.
“Minha mãe veio comigo e, na estrada, ficou o tempo todo tentando me convencer a desistir. Lá em casa, eu falei: deixa que eu vou resolver. Minha mãe não tem nada a ver com isso. Eu tratei com ele”, afirmou o réu.
Segundo Vanderley, momentos antes do homicídio, já a caminho do Shopping Popular, ele enviou uma mensagem pedindo que o ato não fosse cometido, mas não recebeu resposta. Pouco depois, recebeu uma ligação de Sílvio informando que o crime havia sido executado.
“Falei que não iria pagar. Ele respondeu: ‘Tu não é homem’, e começou a me ameaçar”, relatou.
O réu negou ter feito qualquer depósito ao executor e afirmou que não manteve mais contato após o crime. Disse ainda que enviou dinheiro apenas para custear a viagem de Sílvio, sem qualquer promessa de pagamento pelo homicídio, e ressaltou que o acusado não possuía dívida alguma com ele.
Ao final do depoimento, a defesa reforçou que a mãe de Vanderley tentou impedir o crime, alertando o filho e tentando dissuadi-lo durante todo o trajeto.
O crime
Conforme as investigações, a motivação do crime seria a suspeita de que Gersino teria matado o filho de Jocilene, em Campo Grande (MS), 14 dias antes de ser morto. Diante da suspeita, ela e Vandereley teriam contratado Silvio, em Minas Gerais, para executar o assassinato.
Todos teriam se encontrado em Cuiabá, um dia antes do crime. No dia 23 de novembro, Silvio atirou pelas costas contra Gersino e um dos disparos atravessou e atingiu Cleyton, que estava próximo. Os dois morreram no local.
Depois do duplo homicídio, o trio teria embarcado para cidade de Jaciara, a 142 km da capital. De lá, eles se separaram e seguiram caminhos diferentes. Mãe e filho retornaram para Campo Grande, enquanto Sérgio foi para Uberlândia.
Câmeras de segurança registraram os assassinatos. Gersino foi morto próximo à própria banca de produtos eletrônicos, enquanto Cleyton, que era funcionário de outra loja no shopping, foi atingido pela bala que transpassou a cabeça de Gersino, como afirmou o delegado na época.
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