Advogado que cobrava até R$ 300 mil com promessa de influenciar decisões é condenado
Segundo sentença, advogado usava cargo para repassar informações e favorecer facção.
O advogado Pauly Ramiro Ferrari Dorado foi condenado, nesta quinta-feira (9), a 26 anos de prisão em regime fechado pela Justiça de Mato Grosso por envolvimento com organização criminosa, após investigação que apontou sua atuação direta em atividades ligadas à facção Comando Vermelho no estado.

A decisão é do juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop, e integra um processo que apurou a participação do advogado em uma série de crimes, incluindo integração em organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, extorsão, falsidade ideológica e tráfico de influência.
De acordo com a decisão, Pauly teria ultrapassado os limites legais da profissão ao atuar como uma espécie de elo entre integrantes da facção, utilizando suas prerrogativas como advogado para favorecer atividades criminosas.
? O que apontam as investigações
- ➤ Intermediava informações entre presos e membros da facção;
- ➤ Auxiliava na recuperação de drogas e dinheiro do tráfico;
- ➤ Realizava consultas em sistemas judiciais para embasar decisões do “tribunal do crime”;
- ➤ Servia como porta-voz de integrantes da organização.
Em um dos casos, o advogado teria sido acionado por membros da facção para verificar antecedentes de uma pessoa sequestrada, com o objetivo de decidir sobre sua possível execução.
A sentença também descreve a participação do advogado em um esquema de extorsão. Segundo os autos, ele teria intermediado a devolução de uma caminhonete roubada mediante pagamento de R$ 30 mil, valor exigido sob ameaça.
Do total, parte do dinheiro teria ficado com o próprio advogado como “intermediação”. Além disso, o documento aponta que ele solicitava valores sob promessa de influenciar decisões judiciais, chegando a cobrar quantias que variavam de R$ 10 mil a R$ 300 mil para suposta liberação de presos.
Ligação com facção criminosa
A Justiça entendeu que há provas de que o advogado integrava a facção, inclusive realizando pagamentos periódicos para manutenção da organização e se identificando como membro do grupo.
Conversas analisadas durante a investigação indicam que ele mantinha contato frequente com outros integrantes e participava ativamente da estrutura criminosa em cidades como Apiacás, Alta Floresta e Lucas do Rio Verde.
Fuga de presídio
Pauly Ramiro Ferrari Dorado e outros dois advogados foram transferidos para a Penitenciária da Mata Grande, em Rondonópolis, após tentarem fugir do Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Segundo a Sejus, um policial que fazia a vigilância na torre ouviu barulhos suspeitos vindos da sala de Estado-Maior por volta de 1h do dia 5 de novembro de 2025. A equipe de plantão foi acionada para verificar a movimentação e constatou que o ferrolho da grade do banho de sol havia sido danificado, indicando o início de uma tentativa de fuga.
Equipes de apoio da Polícia Penal e da Polícia Militar foram chamadas para reforçar a segurança. No momento da revista, um dos detentos tentou avançar contra um policial, ameaçando as equipes que faziam a contenção.
Durante a inspeção, foram encontrados materiais ilícitos e evidências que comprovam a tentativa de fuga. Após passarem por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Cuiabá, os suspeitos foram apresentados em audiência de custódia, onde foi determinada a transferência.
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