Advogado preso por morte de idosa na avenida da FEB já foi condenado por 2 mortes
Paulo Roberto Gomes dos Santos foi preso pelo atropelamento e morte de Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 72 anos; ele irá passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (21).
O motorista Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 68 anos, envolvido no atropelamento que matou a idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 71 anos, na Avenida da FEB, em Várzea Grande, nessa terça-feira (20), já respondeu por outros dois crimes graves no passado.
No fim dos anos 1990, quando ainda atuava como policial civil no Rio de Janeiro, Paulo Roberto matou a tiros o delegado Eduardo da Rocha Coelho. Segundo a investigação da época, o delegado foi atingido com um tiro na nuca. Após o crime, Paulo fugiu do estado e passou a viver em Mato Grosso, onde utilizou por um longo período o nome falso Francisco de Ângelis Vaccani Lima.

Pelo assassinato do delegado, Paulo Roberto foi condenado em 2006 a 13 anos de prisão.
Além desse crime, Paulo Roberto também foi denunciado pelo Ministério Público, em 2004, pelo assassinato da estudante de Enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, em Juscimeira (MT). Conforme reportagens publicadas na época, a vítima mantinha um suposto relacionamento com o acusado.
De acordo com as investigações, Rosemeire foi asfixiada dentro de uma banheira, em um motel localizado entre Juscimeira e Jaciara. Em seguida, o corpo foi decapitado e jogado no Rio São Lourenço e no Rio das Mortes. A cabeça da vítima nunca foi localizada. Durante as investigações, ele chegou a pular do terceiro andar da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para fugir.
Paulo Roberto foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, além de ocultação de cadáver e falsificação de documento, já que utilizava identidade falsa no momento da prisão. Ele foi condenado a 19 anos de prisão pela morte de Rosemeire.
Em 2010, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) instaurou um incidente de idoneidade contra Paulo Roberto. No Cadastro Nacional de Advogados (CNA), a situação dele consta como regular.
Atropelamento na avenida da FEB

Paulo Roberto foi preso e pode responder por homicídio doloso pelo atropelamento e morte de Ilmis. Segundo o delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), Paulo Roberto foi interrogado e negou ter atropelado a idosa. Em depoimento, ele alegou que a vítima teria colidido contra o carro dele, versão que é contestada pelas imagens analisadas pela polícia.
Imagens de câmeras de monitoramento mostram que a vítima estava a menos de 50 centímetros de concluir a travessia quando foi atingida pelo carro de Paulo em alta velocidade. Com a força do impacto, ela foi arremessada por cima do canteiro central e acabou sendo atingida por um segundo veículo, que trafegava no sentido contrário. A vítima morreu ainda no local.
Após o impacto, Paulo Roberto continuou dirigindo por cerca de três quilômetros, mas foi seguido por um policial à paisana, que viu o acidente, e foi atrás dele para impedir a fuga.
Ainda conforme o delegado, apesar de o suspeito afirmar que chorou após o ocorrido e precisou de atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), durante o interrogatório ele não demonstrou arrependimento e tentou atribuir a responsabilidade do atropelamento à própria vítima.
Além do homicídio doloso, o motorista também deve ser responsabilizado por fugir do local do acidente e não prestar socorro. Ele irá passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (21).
Ao Primeira Página, a defesa de Paulo Roberto disse apenas que ele está extremamente desolado com o acidente. “Foi um acidente, dificilmente uma pessoa sai na rua e pensa: ‘hoje vou atropelar uma senhora de idade’. Foi um lamentável acidente”.
Leia mais
Mais lidas - 1 Juiz determina soltura de empresário que agrediu mulher com taco de sinuca em Sorriso
- 2 257 anos: sai sentença dos 9 réus julgados por assassinato no “tribunal do crime”
- 3 Advogados alvos de operação do Gaeco em MS são de Iguatemi
- 4 Auditoria do TCU conclui que urna eletrônica é segura
- 5 Baratas e produtos vencidos: supermercado de MT é acionado na Justiça
- 1 Juiz determina soltura de empresário que agrediu mulher com taco de sinuca em Sorriso
- 2 257 anos: sai sentença dos 9 réus julgados por assassinato no “tribunal do crime”
- 3 Advogados alvos de operação do Gaeco em MS são de Iguatemi
- 4 Auditoria do TCU conclui que urna eletrônica é segura
- 5 Baratas e produtos vencidos: supermercado de MT é acionado na Justiça




Comentários (1)
Minha mãe foi atropelada por um motociclista que avançou o sinal vermelho a aproximadamente 80 km/h. Não resistiu aos ferimentos e faleceu.
O que causa ainda mais indignação é constatar que, diferentemente do caso retratado nesta matéria, não houve por parte da autoridade policial o mesmo rigor no tratamento do responsável. O indiciamento limitou-se a homicídio culposo, como se a conduta extremamente imprudente não merecesse maior reprovação.
Fica a amarga constatação: quando o caso não ganha manchetes, quando não há repercussão nas páginas policiais, o tratamento é outro. Desigual. Silencioso.
Hoje, carrego a ausência irreparável da minha mãe, vítima da irresponsabilidade de alguém que transformou uma motocicleta em instrumento de morte. Uma dor que não encontra justiça.