Advogado suspeito de chefiar fraude no TJMT deixa prisão e passa a usar tornozeleira

João Gustavo Ricci Volpato é suspeito de articular o esquema de fraude processual que desviou R$ 21 milhões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, revogou a prisão do advogado João Gustavo Ricci Volpato, suposto líder do esquema de fraude processual que desviou R$ 21 milhões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Ex-secretário de Cuiabá é suspeito de chefiar fraude de R$ 21 mi no TJMT. (Foto: PJC-MT)
Ex-secretário de Cuiabá é suspeito de chefiar fraude de R$ 21 mi no TJMT. (Foto: PJC-MT)

A decisão, contudo, estabelece medidas cautelares como:

  • Uso de tornozeleira eletrônica.
  • Comparecimento mensal em juízo para justificar suas atividades.
  • Proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
  • Proibição de contato com os demais investigados.
  • Proibição de deixar o país, com entrega de passaporte em 48 horas.

Volpato é uma figura conhecida em Cuiabá. Ele já foi secretário de Habitação e Regularização Fundiária da Capital na gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), e também ocupou cargo de adjunto na Secretaria de Saúde.

A Operação Sepulcro Caiado, deflagrada pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá com apoio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no último dia 30, trouxe à tona um dos maiores esquemas de fraudes já identificados no judiciário de Maro Grosso.

As investigações apontam que o grupo teria desviado mais de R$ 21 milhões da conta única do TJMT usando ações judiciais falsas, procurações forjadas, depósitos inexistentes e a manipulação do sistema interno do Judiciário.

O que a defesa argumentou?

No recurso que culminou na soltura Volpato, a defesa do suspeito alega que a prisão preventiva foi decretada por um “juiz incompetente”, que teria usurpado a competência originária do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Além disso, alegou falta de contemporaneidade, já que os crimes teriam sido praticados até 2023, o que, segundo a defesa, não preenche o requisito da contemporaneidade.

Considerações da decisão

O Ministro Gilmar Mendes considerou as alegações da defesa “plausíveis e consistentes”. Embora ele tenha classificado a questão da competência como prematura, ele aceitou o argumento sobre a falta de contemporaneidade.

A decisão do ministro aponta que, de acordo com o pedido da polícia, os supostos crimes ocorreram entre 2019 e 2023, com o último requerimento de alvará protocolado em 3 de março de 2023.

“Há, portanto, um hiato de mais de dois anos entre o último dos atos executórios praticados pelos investigados e a data de deflagração da operação, quando foi decretada a prisão do paciente. Isso demonstra o não preenchimento do requisito da contemporaneidade, que é necessário para a decretação de prisões processuais”, escreveu o ministro na decisão.

Além disso, Gilmar Mendes também ressaltou que a liberdade de um suspeito só pode ser restringida por uma decisão judicial fundamentada em fatos concretos, e não em hipóteses ou na gravidade do crime.

Ele argumentou que a prisão preventiva só se justifica quando é o único meio eficaz para proteger valores jurídicos, e que no caso em questão, medidas cautelares alternativas seriam suficientes.

Por fim, ele enfatizou que mesmo diante da gravidade dos fatos, há a necessidade de uma apuração rigorosa, mas defendeu que a gravidade da investigação não deve levar à “antecipação de pena”, o que é vedado pelo princípio da presunção de inocência.

Leia mais

  1. Cofre, joias, lancha e fazendas: veja bens bloqueados e apreendidos em MT

  2. ALMT exonera servidor suspeito de participar de esquema de desvio do Judiciário

  3. Servidor do TJMT que está foragido tinha cargo estratégico e salário de R$ 36 mil

  4. Dois servidores da ALMT são presos em operação que apura fraude no Judiciário

  5. Servidor do TJMT investigado por fraude milionária se entrega à polícia

  6. Advogada investigada em esquema no TJMT tem prisão domiciliar concedida pelo STJ

  7. Suspeito de chefiar fraude de R$ 21 milhões no TJMT já foi secretário em Cuiabá

  8. STJ assume investigação sobre esquema que gerou rombo de R$ 21 milhões no TJMT

  9. Gestante tem prisão convertida e idosa é solta após custódia da Sepulcro Caiado

  10. Entenda em detalhes suposto esquema de desvio de R$ 21 milhões do TJMT

FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Justiça!

  1. primeira pagina 2026 08 15T054133.934

    Afastamento de secretário de governo de Várzea Grande é suspenso pela Justiça

    TJMT determinou a suspensão do afastamento do secretário de Governo Silvio Fidelis...

  2. Médico cardiologista João Jazbik Neto, na residência onde o feminicídio ocorreu (Foto: William Guedes)

    Justiça mantém prisão de médico suspeito de feminicídio de fisioterapeuta

    Após passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (4), o médico cardiologista...

  3. creche

    Falta de vagas em creches na mira de investigação em cidade de MS

    Problema comum em cidades do Brasil, município em Mato Grosso do Sul...

  4. Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Luiz Silveira/STF)

    Moraes pede investigação contra André Mendonça no STF; veja as suspeitas

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou o...