Advogados de Carlinhos Bezerra podem responder a processo na OAB após abandono de júri
Juíza determinou que a entidade avalie a conduta dos três defensores após eles abandonarem o plenário durante o júri dCarlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de matar a ex-namorada e o atual namorado dela em Cuiabá.
Os advogados de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, poderão responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). A medida ocorre após os defensores abandonarem o plenário do Tribunal do Júri nessa terça-feira (21), em Cuiabá.
Elson Marcelino da Silva Júnior, Gabriel Gouvea Neno Reiff e Larice Cristina da Silva integravam a defesa do empresário, acusado de matar a ex-namorada Thays Machado e Willian César Moreno, que mantinha um relacionamento com ela na época do crime.

A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou o envio de um ofício à OAB-MT para que a entidade analise a conduta dos três advogados. A magistrada também remarcou o julgamento de Carlinhos Bezerra para 31 de julho.
Ao Primeira Página, a OAB-MT explicou que abandonar o plenário do júri sem justa causa pode caracterizar uma infração ético-disciplinar. A entidade ponderou, porém, que caberá exclusivamente ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) verificar se as circunstâncias e os argumentos apresentados pelos advogados justificam a decisão.
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Isso significa que a abertura e o resultado de um eventual processo disciplinar não são automáticos. A atuação dos defensores ainda precisará ser examinada pela Ordem.
Defesa deixou julgamento após pedido ser negado

O júri de Carlinhos Bezerra foi interrompido depois que o advogado Elson Marcelino anunciou que a defesa deixaria o plenário. A decisão foi comunicada após a juíza responsável pelo julgamento negar um pedido apresentado pelos defensores.
Um dia antes, a magistrada já havia rejeitado a segunda solicitação da defesa para adiar o júri.
Os advogados alegaram que tiveram apenas sete dias para examinar 109 gigabytes de arquivos digitais disponibilizados recentemente. Também afirmaram que parte da documentação do processo somente teria sido liberada às vésperas do julgamento.
Outro questionamento envolve anotações pessoais atribuídas a Carlinhos Bezerra. Os registros são utilizados pela acusação para sustentar que o empresário perseguia Thays Machado depois do fim do relacionamento.
Segundo Elson Marcelino, as anotações teriam sido apresentadas de maneira parcial e fora do contexto original.
“Quando você retira recortes de um contexto maior, cria-se essa sensação de perseguição. O senhor Carlos anotava absolutamente tudo desde 2021 e 2022. Se os documentos forem apresentados integralmente, muita coisa muda”, declarou o advogado.
Carlinhos Bezerra deverá constituir nova defesa

Após a saída dos advogados, a juíza intimou Carlinhos Bezerra a contratar uma nova defesa para o julgamento marcado para 31 de julho. Caso ele não constitua outro advogado, a representação jurídica será assumida pela Defensoria Pública.
O empresário será julgado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o duplo assassinato aconteceu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício onde Thays morava, no bairro Alvorada, em Cuiabá.
A acusação sustenta que Carlinhos Bezerra não aceitava o fim do relacionamento, perseguiu o casal e efetuou vários disparos de arma de fogo. Thays e Willian morreram no local.
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