Alcides Bernal deixa audiência em silêncio após depor sobre morte de servidor em Campo Grande
A audiência durou cerca de 3h40, após os depoimentos das testemunhas de defesa, além do próprio Bernal
Alcides Bernal deixou o fórum de Campo Grande em silêncio após prestar o primeiro depoimento à Justiça na ação em que é réu pelo homicídio do servidor Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Diante do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, segundo a defesa, ele reiterou que atirou na vítima em legítima defesa. Confira o momento em que ele deixa a sala de audiências.
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A audiência
A audiência durou cerca de 3h40 e terminou por volta das 17h40, após os depoimentos das testemunhas de defesa, entre elas um vizinho e prestadores de serviço da residência onde ocorreu o crime, além do próprio Bernal.
O que disse a defesa de Bernal
Durante a audiência, a defesa do ex-prefeito reiterou que Alcides Bernal atirou para se defender do servidor, conforme o advogado Ricardo Machado, que já planeja ingressar com um novo pedido de liberdade do ex-prefeito na Justiça.
“Os interrogatórios demonstram de forma inequívoca que ele agiu amparado pelo instituto da legítima defesa, quando teve o seu domicílio, o seu escritório, violentado por dois desconhecidos que não detinham, naquele momento, documento para exercer a posse daquele bem, que à época era de Alcides Bernal. Isso foi confirmado hoje por vizinhos, piscineiro, documentos e fotos acostados aos autos e ao laudo pericial. (…) Após o encerramento da instrução processual, a defesa irá se manifestar requerendo a revogação da prisão preventiva do senhor Alcides Bernal.”
Ricardo Machado, advogado

O que diz a defesa da família da vítima
Já a defesa da família de Roberto Mazzini nega que o imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, onde ocorreu o crime, tenha sido invadido pela vítima, conforme explicou o advogado Thiago Martinho, que atua como assistente de acusação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
“Em nenhum momento houve invasão. O que houve foi uma pessoa que tinha a propriedade ingressando no seu próprio imóvel. Trata-se de um imóvel já escriturado em 19 de fevereiro, com pedido de registro realizado no dia 23 do mesmo mês e posteriormente consolidado pelo cartório. Além disso, o imóvel não pertencia a Alcides Bernal desde julho de 2005, conforme consta na escritura. O imóvel pertencia à Caixa Econômica Federal e a família do meu cliente o adquiriu diretamente da instituição. Não há dúvidas. Precisamos focar agora na violência do ato e na gravidade do crime, que foi um homicídio brutal contra uma pessoa desarmada, que estava dentro de uma propriedade adquirida legitimamente. É isso que a Justiça deve levar em consideração.”
Thiago Martinho, advogado
Thiago acrescentou que as provas reunidas ao longo do inquérito reforçam a responsabilização de Bernal pelo assassinato do servidor.
“As provas produzidas durante a instrução e no curso do inquérito são muito contundentes em demonstrar a responsabilização pelo crime cometido. Ficou muito claro, inclusive pela perícia, que o segundo disparo ocorreu a uma distância muito curta, ou seja, um tiro à queima-roupa, como definiu o laudo pericial. Estamos confiantes na pronúncia e, posteriormente, no julgamento pelo Tribunal do Júri.”
Thiago Martinho, advogado
Relembre o caso
O crime ocorreu na residência que pertencia ao ex-prefeito, mas que foi levada a leilão e posteriormente adquirida por Roberto Carlos Mazzini. No dia do assassinato, em 24 de março, Mazzini e um chaveiro estavam no imóvel quando teriam sido surpreendidos por Bernal.
O ex-prefeito é acusado de atingir o servidor com dois tiros e fugir sem prestar socorro. Horas depois, ele se apresentou à polícia e, desde então, segue atrás das grades do presídio militar de Campo Grande.
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