Alvo da Operação Snow, advogado é preso por entregar celular falso ao Gaeco

Crime foi cometido no ano passado, mas o suspeito foi preso no dia 9 de janeiro

O advogado Antônio César Jesuíno, alvo da 2ª fase da Operação Snow, realizada em janeiro do ano passado, voltou à mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul por tentar impedir o acesso a provas contra um grande esquema de tráfico de drogas. Ele está preso desde o dia 9 de janeiro.

A prisão de Antônio Jesuíno, de 55 anos, foi divulgada nessa segunda-feira (19).

Policial do Gaeco durante operação (Foto: Divulgação)
Policial do Gaeco durante operação (Foto: Divulgação)

Segundo o Ministério Público, em janeiro do ano passado, o advogado foi alvo de busca e apreensão, mas se negou a entregar o celular que usava. Para não cumprir a ordem policial, questionou a legalidade da medida judicial e teve os questionamentos rejeitados pela 3ª Vara Criminal de Campo Grande.

Na época, o advogado também foi advertido das consequências penais de descumprir a ordem. Mais de um mês depois da operação, compareceu à sede do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) para entregar o dispositivo. No entanto, a análise técnica revelou que o aparelho entregue não pertencia a ele, mas sim a outra pessoa.

A perícia constatou que o celular estava sem cartão SIM e sem cartão de memória, além de não apresentar registros de uso cotidiano, como fotos, vídeos ou histórico de mensagens e navegação.

Para os Promotores de Justiça do Gaeco, a manobra foi uma tentativa clara de esconder conversas que ligariam o advogado a líderes da organização criminosa e a esquemas de corrupção de agentes públicos, crimes denunciados pela Operação Snow.

Por isso, Antônio foi denunciado por um novo crime, obstrução à Justiça. A pena prevista é entre 3 e 8 anos de reclusão.

Papel estratégico

Nas investigações que resultaram nas ações de janeiro do ano passado, o advogado foi apontado como personagem estratégico no grupo criminoso. Além de serviços advocatícios convencionais, ele “blindava” integrantes da organização. Ele teria, inclusive, intermediado o pagamento de propinas a policiais para a liberação de caminhões carregados com drogas.

A Snow revelou um esquema de tráfico de drogas que contava com auxílio de policiais para evitar repressão das forças de segurança. No ano passado, 21 pessoas foram denunciadas por envolvimento nos crimes investigados pela operação:

  • Joesley da Rosa
  • Ademar Almeida Ribas (Pitoco)
  • Antônio César Jesuíno
  • Claudeir da Silva Decknes (Bidu)
  • Diego Fernandes Silva
  • Emerson Correa Monteiro
  • Felipe Henrique Adolfo
  • Gustavo Cristaldo Arantes
  • Jessika Farias da Silva
  • Lais da Silva dos Santos
  • Lucas Rineiro da Silva (Luquinhas)
  • Luiz Paulo da Silva Santos (LP ou Soneca)
  • Marcio Gimenez Acosta
  • Michael Guimarães de Bairros
  • Mikeli Miranda de Souza
  • Oscar José dos Santos Filho
  • Rodney Gonçalves Medina
  • Rodrigo de Carvalho Ribas
  • Vlandon Xavier Avelino
  • Vitor Gabriel Falcão Pinto
  • Wilson Alves Bonfim

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