Audiência do Caso Sophia tem misto de emoções e pedido por justiça

Foram ouvidas as cinco testemunhas de acusação do caso Sophia nesta primeira audiência; a menina partiu aos 2 anos de idade, vítima de violência física e sexual

Um misto de emoção, revolta e esperança por justiça tomaram conta do Tribunal do Júri, em Campo Grande, nesta segunda-feira (17). Desde o final desta tarde, foram ouvidas as cinco testemunhas de acusação do caso Sophia, que partiu aos 2 anos de idade, vítima de violência física e sexual.

caso sophia
Stephanie, mãe de Sophia, compareceu ao tribunal, mas o padrasto, Christian, optou por não ir (Foto: Alysson Maruyama)

A audiência ocorreu pouco mais de dois meses depois que o Ministério Público ofereceu denúncia contra os réus, o padrasto Christian Campoçano Leitheim e a mãe da criança, Stephanie de Jesus da Silva. O caso ganhou uma grande repercussão nacional não só pela violência que a criança sofreu, mas pelas denúncias e tentativas do pai de Sophia, Jean Carlos Ocampo, de conseguir a guarda da criança, que era exclusiva de Stephanie.

Jean foi o primeiro a prestar depoimento durante o júri e antes de falar pediu que Stephanie fosse retirada do tribunal. Durante 40 minutos, ele relembrou a história da família, os últimos momentos que passou com a filha e as dificuldades que teve para pedir a guardada menina. Ele também falou sobre as agressões. Disse que notou os primeiros hematomas em Sophia aos 9 meses de vida dela, mas que todos foram desmentidos por Stephanie, que culpava o irmão mais novo da criança ou uma queda brincando.

Ao ser questionado pelo  juiz Carlos Alberto Garcete, Jean ressaltou que não tem dúvida que o crime foi cometido pelo casal. “Eu imaginava que acontecia, sim, agressão em relação a Sophia, mas não imaginava a gravidade que estava. Eu creio que foram os dois, ela foi omissa e participou”, afirmou o pai.

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O pai da Stephanie, Rogério da Silva, afirmou que não era próxima da filha, mas que tinha uma boa relação com ela. Ele confirmou as informações dadas por Jean e falou sobre o momento em que soube que a neta era agredida. “Hematomas, roxinhos, tinham, mas jamais ia imaginar o que estava acontecendo. Sempre ouvia das quedas, jamais ia imaginar que a criança estava sendo espancada. Só vi depois, através de vídeo, através da denúncias que Jean fez o quão grave era”, pontuou ao juiz.

Padrasto nega

O advogado de Christian, Renato Franco, afirmou à reportagem que “tanto da parte dela, quanto dele há apresentação de versões. Ele nega o homicídio, tem também uma segunda parte sobre uma suposta prática de estupro. Nós esperamos o resultado dos laudos para que depois possamos dizer se ouve ou não essa prática e se ela foi praticada pelo Christian”, ressaltou.

Um policial civil também prestou depoimento nesta segunda-feira (17) e falou sobre o laudo pericial. Ele adiantou que as provas são contundentes de que Sophia sofreu abuso sexual ou estupro. Uma nova audiência foi marcada para o dia 19 de maio, para ouvir as testemunhas de defesa dos réus e, possivelmente, um interrogatório dos dois.

Emocionado, Jean falou sobre o desafio de seguir a vida sem a Sophia. “Eu estou tentando prosseguir. Hoje em dia, eu não tenho mais a Sophia”.

“Assassina não é mãe”

Familiares e amigos do pai da menina protestaram com cartazes em frente ao Fórum de Campo Grande, antes que a audiência começasse. Frases como “Justiça por Sophia”, “Assassina não é mãe”, “Foram tantas falhas que não cabe em um só cartaz”, foram algumas das mensagens carregadas por eles.

IMAGENS PROTESTO SOPHIA

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