Avó pede guarda dos netos após feminicídio em Nova Maringá

A Vara da Infância de Santa Bárbara acompanha o caso e já produziu relatórios sociais para comprovar que as crianças terão condições adequadas de moradia, estudo e acompanhamento psicológico.

A mãe de Laila Carolina Souza da Conceição, de 29 anos, assassinada a facadas no dia 11 de janeiro, em Nova Maringá (MT), entrou com pedido judicial para obter a guarda dos três netos, que foram encaminhados a um abrigo municipal após o crime.

As crianças, identificadas como Gabriel, Laura e Lara, estão acolhidas provisoriamente desde o assassinato da mãe. A avó materna, Maria Milena Santos, mora em Santa Bárbara (PA) e afirma que já apresentou toda a documentação exigida para ficar com os netos.

laila morta
Laila Caroline foi morta a facadas dentro da própria casa, em Nova Maringá. – Foto: Reprodução

Segundo Milena, o processo depende agora de decisão do Judiciário de Mato Grosso. A Vara da Infância de Santa Bárbara acompanha o caso e já produziu relatórios sociais para comprovar que as crianças terão condições adequadas de moradia, estudo e acompanhamento psicológico.

“Já foi feito tudo: onde vão ficar, o quarto onde vão dormir, escola, saúde, psicólogo, que vão precisar passar. Peço ajuda para que a juíza libere logo as crianças, porque elas não têm familiares em Nova Maringá”, relatou a avó.

Maria Milena fez um vídeo, junto com a família, em que faz um apelo para que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) tenha mais celeridade no processo de guarda.

Avó grava vídeo e faz apelo para ganhar guarda de netos, filhos de mulher assassinada em MT. – Vídeo: arquivo pessoal

A irmã de Milena e tia das crianças, Ivana Souza, também gravou um vídeo publicado nas redes sociais em que faz um apelo público para que os sobrinhos sejam entregues à família. No vídeo, ela afirma que as crianças pedem diariamente, por chamadas de vídeo, para deixar o abrigo e ficar com a avó.

“Além da dor de perder a mãe, essas crianças estão longe da família, longe do colo da avó. Nenhum abrigo substitui o carinho da família”, diz Ivana em um trecho da gravação.

A Comarca de São José do Rio Claro, que jurisdiciona Nova Maringá, informou que, por envolver crianças, o processo tramita em segredo de justiça.

O crime

Laila Carolina Souza da Conceição foi morta dentro da casa onde morava. De acordo com a Polícia Civil, a Polícia Militar foi acionada por vizinhos após relatos de uma discussão entre o casal.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram um dos filhos de Laila em desespero, pedindo socorro. Dentro da casa, o corpo da vítima foi localizado com várias perfurações provocadas por golpes de faca. Uma equipe médica chegou a ser acionada, mas a morte foi confirmada ainda no local.

O suspeito, um homem de 29 anos, fugiu antes da chegada da polícia, mas foi localizado pouco depois, correndo nas proximidades, com uma faca na mão e o corpo sujo de sangue. Ele foi preso em flagrante e afirmou, em depoimento, que perdeu o controle durante a discussão.

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Depoimento do suspeito

O suspeito do crime, Gutemberg Lima Santos, de 29 anos, afirmou em depoimento à polícia que mantinha um relacionamento amoroso com Laila Carolina, e declarou que não tinha intenção de matá-la, embora tenha ido até a casa dela com um faca.

O depoimento foi gravado em vídeo após a prisão do suspeito. Nas imagens, Gutemberg confirma que estava na casa da vítima no momento do ataque, admite que desferiu os golpes de faca e relata que fugiu após Laila cair no chão.

Questionado sobre estar arrependido, ele respondeu: “Estou, porque acabou que eu prejudiquei, acabei com a vida da moça, que não merecia”, afirmou.

Sobre a intenção de matá-la, inicialmente, Gutemberg negou, mas em seguida se contradisse. O vídeo do depoimento foi divulgado pelas autoridades e integra as investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Depoimento de suspeito de matar Laila Carolina. – Vídeo: reprodução

1º feminicídio do ano em MT

Conforme dados do Observatório Caliandra, ligado ao Ministério Público de Mato Grosso, este foi o primeiro feminicídio registrado em Mato Grosso em 2026, após a confirmação oficial do crime pela Polícia Civil.

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