Bispo nega omissão em denúncias contra padre e diz que caso foi arquivado
O responsável pela Diocese cita que recebeu o teor das denúncias feitas por um ex-seminarista contra o padre Vandilson e que os fatos foram investigados pelas autoridades policiais e da igreja.
O bispo responsável pela Diocese de Barra do Garças (MT), Dom Paulo Renato Fernandes Gonçalves de Campos, emitiu uma nota pública nesta terça-feira (21) se manifestando sobre as denúncias envolvendo o padre Vandilson Pereira Sobrinho, acusado por um ex-seminarista de abuso de poder e de ofício, além de má administração de bens eclesiásticos.
No documento, o sacerdote nega qualquer tipo de omissão em relação à apuração dos fatos e afirma que em 15 de setembro do ano passado recebeu o teor das denúncias e que foram adotadas as providências cabíveis no âmbito eclesiástico, com a ciência ao sacerdote mencionado e apuração interna dos fatos submetidos à autoridade diocesana.
“Importa afirmar, com clareza, que jamais houve omissão por parte deste Bispo Diocesano. Ao contrário, a Diocese procedeu com seriedade, prudência e senso de responsabilidade que o caso exigia, observando tanto a justiça quanto o dever pastoral de apurar com retidão aquilo que lhe foi formalmente encaminhado”, diz trecho.

Além disso, menciona que os fatos envolvendo supostas irregularidades patrimoniais foram submetidos a Polícia Civil, que apurou e classificou a denúncia como “infundada”, arquivando o inquérito policial, bem como o Ministério Público (MPMT), que se manifestou junto da autoridade policial pela improcedência da denúncia.
O caso ainda foi submetido à Justiça, que determinou o arquivamento por não vislumbrar, na conduta do padre investigado, “elementos típicos de crimes de apropriação indébita ou estelionato”.
Segundo Dom Paulo, a denúncia, no âmbito da igreja, foi arquivada em 11 de fevereiro deste ano, tendo inclusive sido comunicada também às demais instâncias canônicas superiores.
Ao final, reitera que são inverídicas alegações de que o Bispo ou a Diocese em si tenham permanecido inertes ou omissos diante dos fatos alegados pelo ex-seminarista. “Houve atuação institucional formal, apuração regular e adoção das providências compatíveis com cada esfera de competência”, diz trecho.
Acusações de violações
Um ex-seminarista, que foi estagiário do padre Vandilson Pereira Sobrinho no ano de 2023, encaminhou denúncia às autoridades mato-grossenses e ao Vaticano com acusações de que o sacerdote teria praticado abuso espiritual e de consciência, abuso de poder e de ofício, má administração dos bens eclesiásticos, condutas imprudentes e violação de direitos fundamentais dos fiéis e do seminarista.
No documento, ele alega que o sacerdote fazia correções públicas contra o denunciante e constrangia fiéis em horários de missa e em grupos de WhatsApp, criava um ambiente de intimidação constante, obrigava o estagiário a pagar parte das despesas da casa paroquial, além de praticar gastos desnecessários e faltar com transparência nas contas da paróquia.
O caso chegou ao Vaticano, que por meio de Don Enrico Massignani, confirmou o recebimento do “dossiê” em desfavor do padre, em 10 de setembro de 2025.
O Primeira Página entrou em contato com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que confirmou a tramitação do processo, mas informou que não pode fornecer detalhes devido ao sigilo.
A Polícia Civil também confirmou que instaurou inquérito na Delegacia de Alto Araguaia para apurar os fatos. Outro procedimento foi aberto, também a pedido do Ministério Público, para investigar denúncias feitas pelo padre contra o autor.
“As investigações estão em andamento, em fase inicial, e seguem sob sigilo”, informou a autoridade policial.
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