Cartório nega reconhecimento da dupla maternidade e casal recorre à Justiça em MS

Mães procuraram a Defensoria Pública de MS para converter a união estável em casamento e obter o duplo reconhecimento do filho

Um casal de mulheres, Thays e Karina, procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul durante um mutirão realizado em Amambai para regularizar a situação jurídica da família. Além de converter a união estável em casamento, elas buscam o reconhecimento da dupla maternidade da filha, concebida por meio de inseminação caseira.

Casal busca defensoria pública para pedido de dupla maternidade
Casal busca defensoria pública para pedido de dupla maternidade (Imagem ilustrativa)

Segundo a Defensoria, a criança foi registrada apenas com o nome da mãe biológica.

A gestação ocorreu após um amigo de Karina doar voluntariamente o material biológico. Depois de uma segunda tentativa de inseminação caseira, a gravidez foi confirmada.

Antes de recorrer à Defensoria, o casal tentou incluir administrativamente o nome de Thays na certidão de nascimento da criança, mas o pedido foi negado pelo cartório.

Durante o atendimento, a equipe da Defensoria explicou que, neste caso, como a criança tem menos de 12 anos e a gestação ocorreu por inseminação caseira, o reconhecimento da dupla maternidade dependerá de decisão judicial.

A instituição informou que adotará as medidas necessárias para buscar o reconhecimento da filiação.

“Viemos converter nossa união estável em casamento e também organizar a documentação da nossa filha. Procuramos a Defensoria porque precisávamos de orientação e fomos muito bem atendidas. Acreditamos que tudo vai dar certo”, afirmaram Thays e Karina.

O atendimento fez parte da programação da Defensoria Itinerante, que levou serviços gratuitos à população de Amambai e Coronel Sapucaia em parceria com os municípios.

O que é a dupla maternidade?

A dupla maternidade é o reconhecimento jurídico de duas mães como responsáveis legais por uma criança, garantindo a ambas os mesmos direitos e deveres parentais.

Entre os direitos assegurados estão:

  • inclusão do nome das duas mães na certidão de nascimento;
  • exercício conjunto do poder familiar;
  • direitos sucessórios;
  • inclusão em planos de saúde;
  • direitos previdenciários;
  • segurança jurídica para a criança e para toda a família.

Como funciona nos casos de inseminação caseira?

A inseminação caseira consiste na introdução do sêmen sem acompanhamento de uma clínica de reprodução assistida.

Como esse procedimento não gera a mesma documentação produzida pelas clínicas especializadas, alguns casos podem exigir análise do Poder Judiciário para o reconhecimento da dupla maternidade, especialmente quando não há consenso administrativo ou quando o cartório entende que não há elementos suficientes para efetuar o registro.

Já nos casos de reprodução assistida realizada em clínicas autorizadas, com toda a documentação exigida pelo Conselho Federal de Medicina, o reconhecimento da dupla maternidade costuma ocorrer diretamente no registro civil, desde que sejam atendidos os requisitos legais.

Desde 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.

Posteriormente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) passou a determinar que cartórios realizem casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, garantindo igualdade de direitos aos casais homoafetivos.

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