Caso Nery: mais dois PMs são indiciados por homicídio qualificado

De acordo com as investigações, Jackson Pereira Barbosa atuou como intermediador do crime, enquanto Ícaro Natan Ferreira emprestou a arma que matou o advogado.

Mais dois policiais militares foram indiciados pelo homícidio qualificado do advogado Renato Nery, morto em frente ao próprio escritório, em julho do ano passado. De acordo com as investigações, Jackson Pereira Barbosa atuou como intermediador do crime, enquanto Ícaro Natan Ferreira emprestou a arma que matou o advogado.

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Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Natan Ferreira foram indiciados pela morte do advogado de Renato Nery | Foto: reprodução

A Polícia Civil encerrou o enquérito complementar nessa segunda-feira (23) e divulgou a informação nesta terça (24).

Dentre as qualificadoras apontadas pela Polícia estão: homicídio com promessa de recompensa (com recebimento), emprego de meio que possa resultar perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa vítima.

Ainda em maio, o caseiro Alex Roberto de Queiroz e outro policial militar, Heron Teixeira, foram indiciados como executores diretos do crime. Eles estão presos preventivamente.

As investigações apontam que o PM foi responsável por repassar a arma ao caseiro, que pilotou uma moto até o local e efetuou os disparos contra o advogado.

A motivação do crime seria uma disputa entre a vítima e os empresários de Primavera do Leste, Jorge Sechi e Julinere Goulart, são apontados como mandantes e estão presos.

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Fraude em ocorrência e ocultação da arma

Além dos quatro indiciados pelo homicídio, outros quatro policiais militares foram indiciados em um inquérito paralelo, também conduzido pela DHPP, que apura um confronto forjado com supostos criminosos — ocorrido sete dias após a morte de Renato Nery — ocasião em que foi encontrada a arma usada no assassinato.

Segundo as investigações, a arma foi “plantada” na cena pelos militares para justificar o confronto. Exames periciais e provas técnicas demonstraram que os abordados não estavam armados, contrariando a versão apresentada pelos PMs.

Os militares foram questionados sobre a ligação da arma com o homicídio, mas optaram por ficar em silêncio durante os depoimentos. Até o momento, não há indícios de que eles participaram diretamente da execução do advogado, mas a polícia aponta que agiram para ocultar provas e proteger os autores do crime.

? Caso Renato Nery – Linha do tempo do crime

⚰️ A morte

Renato Nery, advogado de 72 anos e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT), foi assassinado a tiros ao chegar de carro no escritório dele, em 6 de julho de 2024, em Cuiabá.

O autor dos disparos, que usava uma moto vermelha, foi flagrado por câmeras de segurança antes e durante o crime.

Renato Nery foi socorrido após ser baleado, passou por cirurgia e morreu no dia seguinte.

? Os mandantes

Os empresários de Primavera do Leste, César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, mulher dele, são apontados como os mandantes da morte do advogado e estão presos desde o dia 9 de maio de 2025.

  • A principal linha de investigação aponta uma disputa por terras como motivação para o crime
  • O casal já tinha sido alvo da polícia anteriormente e usava tornozeleira eletrônica antes da prisão
  • Os empresários teriam pago R$ 200 mil ao sargento da Polícia Militar Heron Teixeira para cometer o crime, segundo a polícia.

? Os executores

Heron Teixeira é acusado de contratar o caseiro Alex de Queiroz Silva para executar o advogado.

Além de Heron e Alex, a polícia prendeu 8 suspeitos de participação no plano de execução de Renato Nery 6 PMs. São eles:

  • Leandro Cardoso
  • Wailson Alesandro Medeiros Ramos
  • Jorge Rodrigo Martins
  • Wercerlley Benevides de Oliveira
  • Jackson Pereira Barbosa
  • Nome não divulgado
? Uso da estrutura policial está sendo apurado. A polícia identificou que a arma usada no crime pertence à Rotam e abriu novo inquérito para rastrear o trajeto e descobrir o responsável pela pistola.

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