Caso Nery: PMs investigados por homicídio de advogado voltam a trabalhar armados
Soltos desde o fim do mês de maio, Leandro Cardoso, Wekcerlley Benevides, Wailson Alesandro e Jorge Rodrigo, agora, foram autorizados a retornar ao trabalho sem uso de tornozeleira e com porte de arma.
O Conselho Permanente de Justiça da 11ª Vara Criminal Especializada de Justiça Militar de Cuiabá revogou, parcialmente, as medidas cautelares dos Policiais Militares Leandro Cardoso, Wekcerlley Benevides, Wailson Alesandro e Jorge Rodrigo, suspeitos de envolvimento na morte do advogado Renato Nery, em Cuiabá.
Soltos desde o fim do mês de maio, também por determinação da Justiça, agora, eles foram autorizados a retornar ao trabalho sem uso de tornozeleira eletrônica e portando arma.

Conforme a decisão tomada por maioria de votos e com o voto vencido do juiz João Bosco Soares da Silva, os policiais vão atuar na “atividade-meio” e não no serviço operacional, podendo ainda portar arma de fogo.
“O Conselho Permanente de Justiça, por maioria, vencido o Juiz de Direito, votou pelo deferimento parcial do pleito defensivo, pela revogação parcial das cautelares diversas da prisão”, diz trecho da decisão.
Na decisão que concedeu liberdade provisória aos policiais, assinada pelo juiz Francisco Ney Gaíva da 14ª Vara Criminal de Cuiabá em 29 de maio, foram impostas as seguintes medidas cautelares:
- recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h, e nos dias de folga, salvo por motivo de força maior
ou em caso de comprovado trabalho. - entrega de relatório trimestral das atividades realizadas, com escalas de serviço;
- proibição de manter contato com vítima e testemunhas por qualquer meio;
Na nova decisão que autoriza os militares ao retorno das atividades, foram mantidas a proibição de contato com a vítima, familiares e testemunhas do processo.
Uma nova sessão de instrução para continuação do ato foi marcada para o dia 1º de setembro de 2025.

Acusações
Os quatro policiais foram presos em março deste ano durante a Operação Office Crimes: A Outra Face. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) afirma que os policiais forjaram e adulteraram a cena de um suposto confronto com assaltantes para inserir a arma usada no homicídio do advogado. O objetivo era de despistar as investigações, segundo o Ministério Público.
A perícia apontou ainda a ausência de vestígios de troca de tiros, contrariando a versão apresentada pelos agentes. Nem a viatura policial, nem o veículo dos supostos criminosos apresentavam marcas de disparos.

O inquérito revelou que as munições encontradas na cena do crime eram do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), onde os quatro militares atuavam na época dos fatos.
O Ministério Público chegou a pedir novamente a prisão dos envolvidos.
Após o crime completar um ano, a Polícia Civil concluiu a terceira etapa do inquérito e indiciou o casal César Jorge Sechi e Julinere Goulart por mandar matar o advogado Renato Nery. Eles estão presos desde maio deste ano.
Eles devem responder por homicídio qualificado por motivo torpe, promessa de recompensa, emprego de meio que possa resultar em perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Segundo as investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a motivação do crime foi uma disputa judicial envolvendo uma fazenda de mais de 12 mil hectares, localizada em Novo São Joaquim, região leste do estado.
O caso
O advogado Renato Nery foi assassinado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao escritório dele, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.

Os autores do crime estavam em uma motocicleta e fugiram logo após atirar contra ele, dando início a uma investigação de complexidade. Renato Nery chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Câmera de segurança flagrou o momento que Renato Nery foi baleado. Assista abaixo:
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