Caso Sophia: Justiça endurece condenação e penas de mãe e padrasto somam 66 anos

A sentença de dezembro de 2024 foi revista a pedido do Ministério Público

Uma nova decisão judicial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul aumentou as penas de Christian Campoçano Leithem e Stephanie de Jesus pelo assassinato de Sophia Ocampo. Condenados em 2024, o padrasto e a mãe da menina somam, agora, mais de 66 anos de prisão pelos crimes que resultaram na morte da criança.

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Stephanie de Jesus e Christian Campoçano, réus no julgamento do caso Sophia (Foto: Adriano Fernandes)

A nova decisão, em segunda instância, é fruto de recursos feitos por todas as partes do processo: defesa de Christian, defesa de Stephanie e Ministério Público.

Christian, condenado a 32 anos de reclusão em regime fechado, pediu que a pena fosse reduzida.

Stephanie, sentenciada a 20 anos, requisitou não só a redução dos anos presa como também a anulação do júri por entender que não havia provas dos crimes pelos quais ela foi condenada.

Já o Ministério Público pediu por penas mais pesadas.

Ao analisar o caso, os desembargadores entenderam que o Conselho de Sentença condenou os dois réus conforme as provas do processo. A decisão assinada nessa segunda-feira (16) lembra as agressões frequentes sofrida por Sophia e pelos irmãos, as mensagens trocadas pelos autores, que reforçava o ciclo de violência dentro de casa e por fim, a omissão de socorro a menina de apenas 2 anos.

“Parte do acervo probatório demonstra que a recorrente Stephanie, mesmo podendo evitar a morte da menor de idade, dolosamente privou-a de socorro médico imediato, permitindo que esta sofresse até sua morte, uma vez que, quando encaminhada à Unidade de Saúde, já estava sem vida há horas”

Outros pontos, como o meio em que Sophia vivia, um ambiente insalubre e com uso de drogas por parte do padrasto e da mãe, e a conduta violenta de ambos, também foram levados em consideração.

Ao fim da análise, a pena dos dois foi aumentada. Christian saiu de 30 anos para 40 anos, seis meses e 11 dias de reclusão em regime fechado: 26 anos e seis meses por homicídio qualificado e 14 anos por estupro de vulnerável.

Para Stephanie, a pena de 20 anos se transformou em 26 anos, seis meses e 11 dias de reclusão, em regime fechado.

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O caso

Na noite de 26 de janeiro de 2023, Stephanie levou a filha morta à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Coronel, com sinais de agressão e suspeita de estupro.

Naquela mesma noite, mãe e padrasto foram presos e, de lá, só saíram para prestar depoimento à Justiça e sentar no banco dos réus. Em 5 de dezembro de 2024, Christian e Stephanie foram condenados pelo assassinato da criança.

No tribunal, mensagens entre os dois e depoimentos de diversas pessoas reforçaram a vida de agressão dentro da família. Sophia era o principal alvo do padrasto, mas o irmão mais velho, na época com 4 anos, também era frequentemente agredido.

Uma das sessões de espancamento resultou na morte da menina; conforme os laudos, a pequena sofreu por horas devido a uma lesão interna.

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