Caso Toni Flor: marido achou que era vítima de engano e passou senhas de banco à mulher
Crime teria sido encomendado por R$ 60 mil. Toni Flor, 37 anos, foi assassinado ao chegar em uma academia.
Durante julgamento de Ana Claudia de Souza Oliveira Flor nesta segunda-feira (21), acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o empresário Toni da Silva Flor, o professor de luta Jeferson Jemes de Paula, disse em depoimento que o aluno e amigo morreu achando que havia sido vítima de um engano e se preocupou em ligar para a esposa e passar suas senhas bancárias.

O crime foi cometido em 11 de agosto de 2020, em frente a uma academia no bairro Santa Marta, em Cuiabá. Tony estava chegando para aula de luta por volta das 7h30 quando Igor Espinosa, apontado como o executor do crime, teria se aproximado e efetuado diversos disparos.
O professor Jeferson foi quem fez o socorro de Toni no carro da vítima. Segundo ele, Toni não perdeu a consciência e o tempo todo em que estiveram juntos em direção ao HMC (Hospital Municipal de Cuiabá) conversaram. Toni acreditava ter sido confundido com um policial que também frequentava a academia e tinha o mesmo carro que ele.
Ao promotor de justiça, Samuel Frungilo, Jeferson disse que quando ouviu os tiros, ele saiu correndo para dentro da academia, gritando o nome do professor, no entanto, Jeferson ainda não tinha chegado. Alunos ligaram para ele informando sobre o atentado e ele conseguiu chegar em menos de três minutos para socorrer o amigo.
“Ele baleado, falou comigo, ligou para esposa dele, passou senhas das contas pra ela. Disse pra cuidar das crianças. Me falou como ligava o carro dele, porque tinha sensor, ele mesmo deitou no banco de trás e foi conversando comigo até o HMC”.
“Me disse que tinham confundido ele com outra pessoa, achava que estavam tentando matar um policial. Ele disse que tinha certeza que não era pra ele, e repetia: não fiz nada de errado. Ele sangrava muito, com várias perfurações. Quando chegamos no HMC, fiquei com o celular dele, com o carro e entreguei tudo pra esposa dele, que estava agoniada, chorando, querendo desmaiar”, disse ele.
Jeferson e Toni eram amigos há mais de 10 anos e o casal frequentava a casa do treinador com frequência. Segundo o relato, a vítima nunca havia reclamado da vida de casado e nunca comentou se havia traição entre eles ou que pretendia se separar de Ana Claudia.
“Era a segunda semana que ele tinha voltado a treinar, mas sempre ia a noite e nessa semana estava indo de manhã. Ele tinha informado a mudança de horário para a esposa. Quem me contou isso foi a própria Ana no velório. Ele sempre ia de moto, mas no dia ele foi de carro. No que ele chegou, atravessou a rua e um motoqueiro já estava esperando ele lá. Meus dois alunos, que chegaram mais cedo, deram ‘bom dia’ pra esse rapaz de moto”, completou.
O caso
Toni Flor foi atingido por tiros por volta das 7h do dia 11 de agosto de 2020, quando chegava na academia. O MPE afirma que os disparos foram feitos por Igor Espinosa, a mando de Ana Claudia. Ela teria sido ajudada por Wellington Honorio Albino, Dieliton Mota da Silva e Ediane Aparecida da Cruz Silva para cometer o crime.

Toni e Ana Claudia estavam casados havia 15 anos e tinham três filhas. Conforme as investigações, o casamento estava em crise por causa de relacionamentos extraconjugais da acusada e, alguns dias antes de ser morto, Toni teria anunciado a intenção de se separar.
O assassinato foi cometido, segundo o MPE, porque a mulher não aceitava se separar e queria todos os bens do casal. Ela pediu ajuda à manicure e amiga Ediane Aparecida da Cruz Silva para procurar alguém para executar o crime. A manicure entrou em contato com Wellington Honorio Albino que, com ajuda de Dieliton Mota da Silva, “terceirizou” o assassinato, propondo que fosse cometido por Igor Espinosa, que aceitou a “tarefa”, diz a denúncia do MPMT.
O crime foi encomendado por R$ 60 mil e teria sido combinado por uma videoconferência. A mulher do empresário, porém, teria repassado somente R$ 20 mil. Já Igor Espinosa teria gasto todo o dinheiro em festas no Rio de Janeiro.
Ana Cláudia e outras duas pessoas foram presas no dia 19 de agosto em Cuiabá, durante a Operação Capciosa, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Já Igor Espinosa foi preso no dia 11 do mesmo mês, enquanto a manicure, no dia 27 de agosto.
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