Com apenas 2 desembargadoras, TJMS abre vaga exclusiva para mulheres

Medida atende orientação do CNJ sobre paridade de gêneros no Judiciário

O TJMS (Tribunal de Justiça) abriu o processo de preenchimento da vaga de desembargador deixada por Júlio Roberto Siqueira Cardoso, que se aposentou ao fazer 75 anos. A disputa entre magistrados será diferente: só juízas poderão se inscrever para fazer parte da lista tripla a ser levada ao governador do estado para a escolha.

Plenário do TJMS em 1º de fevereiro de 2023 (Foto: Willian Guedes)
Plenário do TJMS ocupado por maioria expressiva de homens (Foto: Willian Guedes)

Com a medida, o tribunal atende à orientação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para promover a paridade de gênero no Judiciário. Na justiça estadual de Mato Grosso do Sul, dos 28 desembargadores em atividade, só há duas mulheres, Elizabeth Anache, promovida em 2018, e Jaceguara Dantas, escolhida para a função em 2022.

Em percentual, não dá nem 8% de presença feminina na corte de 2º grau.

O CNJ, em resolução de setembro do ano passado, assinada pela ministra Rosa Weber prevê a ação afirmativa para ampliar o acesso feminino às vagas do topo da carreira da magistratura estadual.

A determinação é de editais alternados entre vagas mistas e vagas exclusivas para magistradsa.

O texto

“Art. 1º-A No acesso aos tribunais de 2º grau que não alcançaram, no tangente aos cargos destinados a pessoas oriundas da carreira da magistratura, a proporção de 40% a 60% por gênero, as vagas pelo critério de merecimento serão preenchidas por intermédio de editais abertos de forma alternada para o recebimento de inscrições mistas, para homens e mulheres, ou exclusivas de mulheres, observadas as políticas de cotas instituídas por este Conselho, até o atingimento de paridade de gênero no respectivo tribunal.

Resolução do CNJ

Confira na íntegra o documento.

Leia mais

  1. Desembargadora diz que mulheres precisam atuar em três frentes para avançar nas conquistas

Prazo

A partir da publicação desta quarta-feira, as juízas têm cinco dias para se inscrever para concorrer “à promoção, pelo critério de merecimento ao cargo de Desembargadora”, segundo o texto da publicação.

Depois, a listagem passa por uma avaliação do Tribunal Pleno, na qual os desembargadores e desembargadoras votam e definem os três nomes que serão colocados na mesa do governador Eduardo Riedel (PSDB), a quem caberá definir a nova integrante do TJMS.

Em 47 anos de história, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul nunca foi presidido por uma mulher. Quando havia essa possibilidade, a candidata a chegar ao topo da carreira, Tânia Garcia de Freitas Borges, acabou envolvida em um escândalo e sendo aposentada compulsoriamente, por usar o cargo para favorecer o filho preso por tráfico de drogas.

Leia também em Justiça!

  1. Empresa de ônibus deve pagar R$ 35 mil a passageira que fraturou a coluna

    A Justiça de Mato Grosso manteve a condenação de uma empresa de...

  2. STJ rejeita recurso e mantém prisão de suspeita no caso Renato Nery

    STJ nega liberdade a empresária acusada no caso Renato Nery

    O STJ manteve a prisão de Julinere Goulart Bentos, acusada de envolvimento...

  3. Cuiabá é obrigada a pagar benefícios cortados de servidoras na licença-maternidade

    A Justiça determinou que a Prefeitura de Cuiabá restabeleça o pagamento do...

  4. PMs da Rotam presos por morte de advogado 2.jpg

    STJ manda de volta à prisão 4 PMs acusados de forjar confronto após morte de Renato Nery

    O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a prisão preventiva de quatro...

  5. Decisão judicial impede retirada de vendedores de peixes em Cuiabá

    Justiça impede remoção imediata de feirante do Praeirinho e exige processo individual,...