Com segurança reforçada, 9 réus são julgados por assassinato no "tribunal do crime"

O crime aconteceu em Sonora, mas o júri é realizado em Campo Grande

Policiais do Batalhão de Choque na entrada do prédio, escolta reforçada, militares no plenário e no pátio. Assim começou o julgamento sobre a morte de Lailla Cristiane de Arruda, decapitada após ser “julgada” no “tribunal do crime” da facção criminosa com maior atuação em Mato Grosso do Sul. Nesta segunda-feira (25), nove pessoas sentam no banco dos réus para responder pelo assassinato da jovem de apenas 19 anos.

WhatsApp Image 2022 04 25 at 08.37.09
Dez réus foram levados a julgamento nesta manhã (Foto: Geisy Garnes)

O crime ocorreu em junho de 2018 em Sonora, cidade a 364 quilômetros de Campo Grande. Lailla foi decapitada e teve o corpo enterrado em um canavial após ser acusada de ser integrante de uma facção rival. A execução foi filmada e vídeos da jovem “se explicando” ao grupo criminoso foram divulgados pelos acusados.

Ao fim da investigação, dez pessoas foram apontadas pela polícia e mais tarde pela justiça, como assassinos de Lailla: Rodrigo França, Alexandro Silva dos Santos, Uanderson Ferreira Ananias, Gelson da Silva, Odimar dos Santos, Victor Hugo Lopes da Cruz, Vitória Valdina Souza da Silva, João Paulo da Silva, Maycon Douglas Almeida Gonçalves da Silva e Matheus do Nascimento Silva.

Assim que o júri popular dos suspeitos foi marcado, no enquanto, o juiz de Sonora alegou que na cidade não havia a segurança necessária para realizar um julgamento com tantos réus, todos integrantes de uma facção e responsáveis por um crime brutal.

O pedido foi aceito e Campo Grande foi o município escolhido para o júri acontecer. O caso passou a ser analisado pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Estrutura diferenciada

Até mesmo na Capital de Mato Grosso do Sul, o julgamento sobre a morte de Lailla pediu “cuidados especiais”. Para receber os dez acusados a segurança do Fórum de Campo Grande foi redobrada. Policiais do Batalhão de Choque ocuparam a entrada do júri e os militares que geralmente acompanham as sessões, também ganharam reforço.

Sem ter como receber todos os réus no plenário, o juiz determinou que o segundo plenário do Fórum apenas para acomodar os acusados. Sentados nos bancos destinados a plateia, eles vão acompanhar todo o júri em “tempo real” e só vão ficar no plenário principal quando a defesa de cada tiver a palavra nos debates com o Ministério Público.

Outro ponto que chama a atenção é a quantidade de pessoas envolvidas no julgamento. Pelo Ministério Público, três promotores atuam no caso: Lívia Carla Guadanhim Bariani, Thiago Barile Galvão de França e Bolivar Luis da Costa Vieira.

Pela defesa dos acusados, advogados e defensores públicos trabalham lado a lado. Nesta manhã, ocupavam o plenário Ronald Calixto Nunes, Jefferson Nascimento Bezarra, Laudo César Pereira, Talita Dourado Aquino e Grabriela Rolon Godoy.

WhatsApp Image 2022 04 25 at 08.25.25
Segurança foi reforçada na entrada do Fórum (Foto: Geisy Garnes)

Confusão no júri

Antes mesmo de começar, o juiz precisou responder a tentativas da defesa em desmembrar o julgamento. Quem usou a palavra foi o defensor público Ronald Calixto. Ao juiz, ele pediu que o cliente não fosse julgado nesta segunda-feira por considerar que as interceptações telefônicas descritas no processo foram usadas de maneira ilegal, porque foram retiradas de outra operação.

A chamada “prova emprestada”, no entanto, foi aceita ao longo de todo o processo, por isso, o juiz negou o pedido do defensor.

Dos dez acusados, apenas um conseguiu “escapar do júri”. Vitória Valdina Souza da Silva será julgada em outra data porque o advogado dela, Alex Viana de Mello não apareceu no plantário. Garcete explicou aos jurados que na sexta-feira – dia 22 de abril – o defensor entrou com habeas corpus no plantão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul alegando a mesma ilegalidade nas provas do crime, mas o pedido foi negado.

Nesta manhã, enviou petição afirmando que estava doente e por isso não poderia comparecer ao júri. Alegou também que apresentaria o atestado médico depois. Em plenário, o juiz determinou um prazo de 24 horas para o advogado apresentar o documento. Caso não faça, receberá uma multa de dez salários-mínimos por “abandono” do júri.

Segundo Garcete, o entendimento dos tribunais superiores já é consolidado quando a punição para advogados que não comparecem ao julgamento dos clientes. Isso porque consideram que a ausência do defensor é um desrespeito a estrutura do júri e aos profissionais envolvidos, que se prepararam para falar ao Conselho de Sentença.

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.