A Justiça tornou réus 20 investigados acusados de integrar organização criminosa armada que domina a exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, alvos da 4ª fase da Operação Successione. No centro da investigação está o “clã” Razuk: Roberto Razuk e os filhos Jorge, Rafael e o deputado estadual Neno Razuk (PL), este últimojá condenado a 15 anos e 7 meses de prisão em dezembro, em decorrência da operação.
Neno Razuk. (Foto: Assessoria deputado Neno Razuk)
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) saiu às ruas em 25 de novembro passado em busca do grupo, ofensiva que também cumpriu 32 mandados de busca e apreensão em quatro estados.
As investigações do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) concluíram que a organização, sob a chefia da família Razuk a partir de Dourados, ditava o controle do jogo do bicho na capital e no interior do estado. Dois policiais militares da reserva também estão entre os réus.
O que dizem as defesas
O advogado João Nahar, que atua na defesa da família Razuk, informou que os réus ainda não foram citados e, portanto, “não têm conhecimento do conteúdo do processo ainda”.
“Tão logo sejam citados, tomarão conhecimento da acusação, farão exames e apresentarão defesa. Daí irão se pronunciar.”
João Nahar.
Confira quem são todos os 20 réus:
Anderson Alberto Gauna
Flávio Henrique Espindola Figueiredo
Gerson Chahuan Tobji
Gilberto Luiz dos Santos
Jean Cardoso Cavalini
Jonathan Gimenez Grance
Jorge Razuk Neto
Marcelo Tadeu Cabral
Marco Aurelio Horta
Odair da Silva Machado
Paulo do Carmo Sgrinholi
Paulo Roberto Franco Ferreira
Rafael Godoy Razuk
Rhiad Abdulahad
Roberto Razuk
Roberto Razuk Filho
Samuel Ozório Júnior
Sergio Donizeti Balthazar
Willian Augusto Lopes Sgrinholi
Willian Ribeiro de Oliveira
O Primeira Página tenta contato com as defesas dos demais acusados. A matéria será atualizada conforme os retornos forem recebidos.
Segundo as investigações do Gaeco, o grupo operava de forma estruturada, com clara divisão de tarefas e utilização de mecanismos de lavagem de dinheiro. Entre as práticas apontadas estão o uso de empresas de fachada para mascarar atividades ilícitas e a tentativa de interferência em licitações públicas, segundo o MPMS.
Os envolvidos respondem pelos crimes de integração em organização criminosa, exploração de jogo do bicho, lavagem de capitais e corrupção ativa.
A denúncia destaca que o grupo utilizava violência e suborno de agentes públicos para manter o poder. Entre os elementos que embasam a denúncia, estão dados obtidos por meio de interceptações telemáticas, que sugerem a hierarquia interna e o controle financeiro do negócio clandestino.
Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de aposta, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em espécie.
Documentos financeiros também indicam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de laranjas como estratégia para ocultar a origem dos recursos.
Com a abertura da ação penal, os acusados serão citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. O despacho da 4ª Vara Criminal determina ainda o apensamento de medidas cautelares de busca, apreensão e sigilo telemático aos autos principais, para subsidiar a fase de instrução processual.
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