Defesa contesta ‘jejum’ voluntário e explica magreza extrema de lobista preso
Defesa do lobista nega emagrecimento forçado e cita que o cliente é bariátrico e portador de neurológica.
A defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves, pivô de um suposto esquema de venda de sentenças em vários Tribunais de Justiça do Brasil e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), defende que o cliente não teria praticado uma espécie de “jejum voluntário” para perder peso propositalmente e obter benefícios judiciais e cita que o lobista estaria sofrendo “estresse do encarceramento”.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (23), após uma suposta investigação da polícia penal sobre a possibilidade de Andreson descartar parte de suas refeições no vaso sanitário de sua cela na penitenciária federal de Brasília.
Ao Primeira Página, o advogado Luis Henrique Prata negou que Andreson tenha forçado o emagrecimento e citou que o cliente é bariátrico e portador de polineuropatia, doença neurológica que afeta múltiplos nervos periféricos simultaneamente, causando formigamento, dormência e dor, geralmente começando nos pés e mãos, comprometendo sensibilidade, força e equilíbrio.

Laudo pericial apresentado pela defesa de Andreson cita que o quadro clínico é agravado também por ser diabético e que sua condição de saúde é “complexa” e que exige acompanhamento especializado contínuo e abordagem multidisciplinar para necessidades assistenciais.
“No tocante ao nexo entre ambiente prisional, perda de peso e funcionalidade, enfatizo que a perda ponderação observada no sistema federal é multifatorial e em grande medida, potencialmente reversível: resulta da interação entre diabetes, neuropatia grave, historia de cirurgia metabólica, diarreia recorrente, dieta institucional pouco individualizada e estresse do encarceramento”, diz trecho.
O laudo ainda atribui o ganho de massa anterior e melhora funcional ao breve período em que Andreson esteve em prisão domiciliar, o que seria explicado por “dieta hipercalórica e fracionada, suplementação e fisioterapia”, o que reforçaria a ideia de um quadro grave e vulnerável.
Contudo, ao analisar comparativamente laudos do Instituto Médico Legal do Distrito Federal (IML-DF), argumenta por “falta de aprofundamento na investigação clínica”, enquanto ao relatório da Polícia Federal (PF), descreve como “especulativo”.
‘Lobista’ dos tribunais
Andreson Gonçalves foi preso em 26 de novembro de 2024, durante a Operação Sisamnes, da Polícia Federal (PF). O nome de Andreson surgiu em inquérito policial após a PF localizar mensagens no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, que indicavam a participação dele em um esquema de venda de sentenças envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Já o celular periciado de Andreson mostrou trechos de conversas entre ele e advogados e assessores de magistrados, indicando negociações de decisões judiciais, não só de Mato Grosso, mas vários estados do Brasil. Ele seria responsável por intermediar contato para que advogados obtivessem sentenças favoráveis aos seus clientes.
A situação de saúde do suposto lobista na cadeia veio a tona no ano passado após circular imagens de Andreson debilitado, quase esquelético, com costelas evidentes. Por conta disso chegou a conseguir prisão domiciliar, porém, retornou a custódia federal.
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