Delegado recebeu ligação de investigador confessando morte em conveniência

Segundo ele, no dia do crime, recebeu uma ligação de Mário Wilson por volta das 3 horas da manhã. Na época ele era subordinado na delegacia em que Bertoli era titular.

A abordagem do investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, ao puxar a arma da cintura do policial militar Thiago Ruiz, estaria “dentro da legalidade” do ponto de vista funcional. A afirmação foi feita, nesta quarta-feira (13), pelo delegado Guilherme Bertoli durante depoimento no júri do investigador acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em uma conveniência na capital, em 2023.

“Ele avistou que a vítima portava armamento que não condizia armamento utilizado pela coirmã e uma vez que não tinha nenhum grau de amizade por desconfiar de prática de porte ilegal de arma ele realizou abordagem para checar esse armamento”, declarou Guilherme Bertoli em juízo.

- Fotos: Alair Ribeiro/TJMT
Delegado Guilherme Bertoli recebeu ligação do réu, Mário Wilson, afirmando que havia ‘matado um noiado em um posto’. – Fotos: Alair Ribeiro/TJMT

Segundo ele, no dia do crime, recebeu uma ligação de Mário Wilson por volta das 3 horas da manhã. Na época ele era subordinado na delegacia em que Bertoli era titular.

“Ele disse – ‘doutor, acabei de fazer uma merda, matei um noiado num posto, vem ver a situação, vem no local’ – . Eu fui até lá e vi a bagunça. Me informaram que a vítima era policial militar. Eu falei pra ele se apresentar a polícia, que é o correto. Busquei ele e a arma com meu carro particular para se apresentar na delegacia e lavrar os autos”, acrescentou.

De acordo com o delegado, quando Mário soube que a vítima realmente era policial militar, após a confirmação da morte, ficou surpreso.

O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, réu pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em abril de 2023 – Foto: Alair Ribeiro
O investigador Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, réu pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em abril de 2023 – Foto: Alair Ribeiro

Suposta droga encontrada no local

Ainda de acordo com Guilherme, quando esteve na conveniência do posto avistou no local objetos semelhantes a trouxinhas de drogas e perguntou para uma das atendentes da conveniência de quem eram os itens. Ela informou que teria caído do bolso da vítima Thiago.

A defesa do réu ainda afirmou que os resultados de exames toxicológico e o de alcoolemia com base na extração do sangue da vítima não foram disponibilizados nos autos.

O fato virou motivo de discussão entre defesa e promotoria, já que os advogados argumentaram que não tiveram acesso os exames e o promotor teria tido.

Contudo, o delegado apenas sinalizou que sequer chegou a avançar sobre essas informações no andamento do processo e não participou da instrução do caso.

Andamento do júri

Nesta quinta-feira (14), o júri de Mário Wilson deve entrar no terceiro dia. Após sucessivos adiamentos e até mesmo anulação do júri iniciado em dezembro do ano passado, o julgamento começou por volta das 9 horas da manhã dessa terça-feira (12) e segui até a noite.

Foi retomado na manhã desta quarta-feira e encerrado por volta das 19 horas.

Na terça foram ouvidas a ex-convivente da vítima, Walkíria Filipaldi Corrêa; o delegado plantonista da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no dia da ocorrência, André Eduardo Ribeiro; Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva e Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior, ambos que estavam presentes no momento do crime.

Nesta quarta foram ouvidos os delegados de polícia Guilherme Bertoldi, André Monteiro e Guilherme Facinelli.

De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) o depoimento do réu, Mário Wilson, está previsto para ocorrer nesta quinta-feira (14).

A morte do PM Thiago

De acordo com as investigações, na madrugada de 26 de abril de 2023, a vítima Thiago Ruiz, que era policial militar, chegou à conveniência acompanhada de um amigo. Posteriormente, o investigador da Polícia Civil, Mário Wilson, também chegou ao local e ambos forma apresentados.

Imagens de câmeras de segurança registraram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Conforme o inquérito, em determinado instante, Thiago Ruiz teria mostrado a arma que portava na cintura ao “coçar uma cicatriz” na costela.

Momentos antes da discussão e briga que terminou com a morte do PM Thiago Ruiz em 26 de abril de 2023. - Foto: Reprodução
Momentos antes da discussão e briga que terminou com a morte do PM Thiago Ruiz em 26 de abril de 2023. – Foto: Reprodução

Na sequência, o investigador Mário Wilson se apoderou do revólver e efetuou os disparos contra Thiago. As investigações constataram que Mário não teria acreditado que Thiago era de fato um policial como havia informado.

O policial militar morreu enquanto era socorrido e levado ao hospital.

O policial militar Thiago Ruiz, vítima de homicídio. - Foto: Reprodução
O policial militar Thiago Ruiz, vítima de homicídio. – Foto: Reprodução

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