Despejo de 500 famílias: Justiça manda desocupar apartamentos em condomínios

Ordem judicial autoriza empresa a assumir 496 apartamentos e prevê retirada de moradores sem acordo.

A Justiça deu uma ordem nessa quinta-feira (16) para que os moradores de três condomínios, na região do Porto, em Cuiabá, entreguem 496 apartamentos à empresa Trunk Gestão Empresarial e abriu caminho para o despejo de mais de 500 famílias.

O documento, assinado pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, trata da imissão na posse dos imóveis, ou seja, autoriza oficialmente que a empresa assuma os apartamentos adquiridos em leilão judicial.

Vila das Minas 4
Processo sobre desocupação de condomínios em condomínios tramita desde 2003. – Foto: Reprodução

Na prática, a medida permite a retirada de moradores que não firmarem acordo, inclusive com possibilidade de uso de força policial, caso haja resistência.

A determinação faz parte de um processo de falência que tramita desde 2003 e envolve o empreendimento Minas do Cuiabá, onde estão localizados os residenciais Villa das Minas e Lavras do Sutil I e II.

Ao todo, são 496 unidades habitacionais distribuídas em 31 blocos, com apartamentos ocupados por famílias que, em muitos casos, vivem no local há mais de duas décadas.

Familias serão despejadas da Vila Maria.-Foto: TVCA
Famílias serão despejadas da Villa Maria. – Foto: TVCA

Segundo moradores, o leilão da massa falida não foi amplamente comunicado, e muitos dizem que sempre tentaram regularizar a situação dos imóveis. “Não é invasão. Todo mundo tem documento, mas nunca conseguiu regularizar”, afirmou o síndico José Carlos Bello.

A massa falida foi arrematada em 2024 por cerca de R$ 16 milhões, quando a empresa passou a reivindicar a posse das unidades.

Medo de despejo

A possibilidade de retirada tem gerado tensão entre os moradores. Muitos relatam medo de perder a única moradia após anos vivendo no local.

Há casos de famílias que nunca conseguiram pagar ou regularizar os imóveis por falta de orientação sobre quem detinha a propriedade após a falência da construtora.

A defesa da Trunk afirma que a compra foi feita de forma legal, por meio de leilão judicial com autorização da Justiça e acompanhamento do Ministério Público.

Segundo a empresa, parte dos ocupantes não possui titularidade formal dos imóveis e houve negociações irregulares ao longo dos anos. A empresa afirma que mantém abertura para acordos.

A Prefeitura de Cuiabá informou que recorreu da decisão que suspendeu a regularização fundiária e tenta reverter a medida para garantir a permanência das famílias.

Leia mais

  1. Decisão pode despejar mais de 500 famílias de condomínios em Cuiabá

  2. 500 famílias de Cuiabá temem ser despejadas após leilão de três condomínios

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