Diretora-presidente da Santa Casa está entre presos em operação; confira quem são os alvos

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e outros 36 de busca e apreensão

A diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, está entre os presos da Operação Antidotum, que investiga um esquema de desvios e fraudes na entidade, que já acumula prejuízos superiores a R$ 4,9 milhões aos cofres e à operadora do hospital. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e outros 36 de busca e apreensão.

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Equipes do Ministério Público na chegada ao hospital (Foto: Gabi Cenciarelli)


Advogada, Alir Terra Lima, eleita presidente da entidade pela primeira vez em novembro de 2022 com 49 votos. Em novembro do ano passado, foi novamente escolhida para o cargo.

Conforme apurado pela reportagem, entre os suspeitos estão diretores do maior hospital de Mato Grosso do Sul e empresários. Confira os nomes:

  • Alir Terra Lima – Diretora-presidente da Santa Casa.
  • Alessandro Dias Junqueira – Diretor administrativo da Santa Casa.
  • Rinaldo Romano – Diretor Financeiro da Santa Casa.
  • Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa – Diretor de Finanças Adjunto da Santa Casa;
  • Monique Gregório – Supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (SAME)
  • Mauricio Aparecido Benites – Empresário

Beatriz Lemes da Silva, diretora executiva do Plano Santa Casa Saúde, e o empresário Paulo Duarte Cruz foram alvo de busca e apreensão durante a operação.

Movimentação da Santa Casa de Campo Grande

Segundo o Ministério Público, apuração identificou irregularidades em um contrato assinado pela Santa Casa para a prestação de serviços de digitalização de prontuários. O acordo previa repasses de R$ 1,8 milhão por ano, com vigência de três anos e valor total de R$ 5,4 milhões.

Mas os pagamentos elevados eram realizados sem a devida prestação do serviço. Somente no primeiro ano de contrato, o desvio comprovado chegou a R$ 1,4 milhão.

As investigações identificaram ainda fraudes em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas de um mesmo grupo econômico, cujo proprietário mantinha ligações diretas com a diretoria do hospital.

As empresas contratadas estavam registradas no mesmo endereço comercial, mas o imóvel encontrava-se totalmente desocupado. Somente no ano de 2025, a operadora repassou cerca de R$ 9,6 milhões para esse grupo, gerando um prejuízo confirmado de, no mínimo, R$ 3,5 milhões.

Desde as primeiras horas do dia, a movimentação de equipes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) é intensa no hospital; no entanto, a ação não afetou o atendimento aos pacientes, nem os horários de visita.

Até o momento, a reportagem não localizou a defesa dos envolvidos na operação. Já o hospital afirmou que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela operação e que aguarda a liberação do acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, a partir disso, poder se manifestar. Confira nota na íntegra:

A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informa que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela operação realizada nesta sexta-feira (11), colocando-se à disposição para fornecer as informações e os esclarecimentos que forem formalmente solicitados.

A instituição respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes e, neste momento, aguarda a liberação do acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, a partir disso, poder se manifestar de forma adequada sobre os fatos.

A Santa Casa reforça que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes.

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