Eletricista de MT que tentou explodir caminhão em Brasília se entrega à polícia
Eletricista de MT vira réu por tentar explodir caminhão de combustível em Brasília
Alan Diego dos Santos, que estava foragido da Justiça por envolvimento na tentativa de explosão em um caminhão-tanque em Brasília, se entregou na delegacia de Comodoro, a 677 km de Cuiabá, nesta terça-feira (17). Ele era procurado pela polícia desde dezembro do ano passado, quando participou da instalação de um artefato explosivo nos arredores do aeroporto da capital federal.

O delegado Ricardo Marques disse que a prisão foi cumprida e que irá ser comunicada ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Além de Alan, outros dois respondem pelo crime de explosão: Washington de Oliveira Sousa e Welligton Macedo de Souza. O trio teria montado o artefato e entregaram o material para que fosse posto no caminhão com intuito de explodir o veículo. O caso ocorreu na véspera de Natal, dia 24.
Os investigadores dizem que o plano foi feito no acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, por onde passaram bolsonaristas radicais com ideias golpistas.
Segundo a investigação, a ideia inicial dos criminosos era que o explosivo fosse colocado próximo a um poste para prejudicar a distribuição de energia elétrica na capital. De última hora, a decisão mudou e o objeto foi colocado no caminhão de combustível, carregado de querosene de aviação.
“O objetivo dos denunciados era cometer infrações penais que pudessem causar comoção social a fim de que houvesse intervenção militar e decretação de Estado de Sítio”, afirma a denúncia.
“Já em Brasília-DF, em frente ao Quartel General, em 23/12/2022, George, Alan e Wellington e outros manifestantes não identificados elaboraram o plano de utilização de artefato explosivo para detonação em lugares públicos”, completa o documento.
Ainda segundo a denúncia, a Polícia Civil afirma que horas após a identificação do explosivo, Alan e George se falaram por uma ligação de aplicativo de mensagens e trocaram imagens do explosivo. A partir da análise de geolocalização, foi possível identificar que um carro que seria da esposa de Wellington também circulou pelos arredores do aeroporto no dia.
A Justiça também atendeu ao pedido de MP de enviar a parte da investigação sobre organização criminosa para a Procuradoria-Geral da República, para que o caso seja analisado no âmbito da Operação Nero, que investiga os atos de vandalismo do dia 12 de dezembro em Brasília.
O crime é caracterizado pelo “perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos”.
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A pena prevista por esse crime varia de 3 a 6 anos de prisão, além de multa. No entanto, o MP avalia que necessário aumentar a pena de 1/3, já que atingiria o caminhão com combustível.
O juiz impôs sigilo ao processo no último dia 13 deste mês. A reportagem tenta localizar a defesa de Alan Diego dos Santos.
Expulso do partido
Alan tentou se eleger como vereador em Comodoro, em 2016. Ele não foi eleito.

Ainda no ano passado, poucos dias após o ato, o presidente do PSD em Mato Grosso, então senador, Carlos Fávaro emitiu um comunicado expulsando Alan Diego.
“Os fatos imputados a ele, conforme veiculado pela imprensa, são graves e inaceitáveis, se constituem crimes e precisam ser punidos com o rigor da lei”, disse Fávaro.
Relembre o caso
A Polícia Militar detonou, na véspera de Natal, o explosivo após o artefato ser encontrado pelo motorista do caminhão-tanque. À época, o homem não soube dizer quem havia deixado o material ali e a polícia descartou a participação dele no caso.
O caso não impactou as operações no aeroporto, tendo as decolagens e pousos sido mantidos normalmente.
No mesmo dia, George Washington de Oliveira Sousa foi preso pela polícia por suposto envolvimento no caso. Ele veio do Pará a Brasília para participar das manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ocorriam no quartel-general do Exército.
O homem foi localizado e preso em um apartamento no Sudoeste, na região central do DF, e confessou que tinha intenção de explodir o artefato no aeroporto. Com ele, foi apreendido um arsenal com pelo menos duas espingardas, um fuzil, dois revólveres, três pistolas, centenas de munições e uniformes camuflados. No apartamento, foram encontradas outras cinco emulsões explosivas.
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