Empreiteiro preso em operação alega que vive da venda de queijos

Adir Paulino tem contratos com a Prefeitura de Campo Grande desde 2017, anos em que começaram as fraudes

Alvo da Operação Cascalhos de Areia por participar do esquema de fraude em contratos de pavimentação e de locação de maquinário em Campo Grande, o empreiteiro Adir Paulino Fernandes, de 65 anos, afirmou a polícia que hoje vive da venda de queijos e tem uma renda mensal de R$ 2.500. Ele acabou preso com uma arma durante a ação policial na sua casa nessa quinta-feira (15)

A realidade das licitações investigadas pela operação, no entanto, mostram faturamentos milionários da empresa de Adir com a locação de veículos que deveriam ser usados na manutenção das ruas da Capital.

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Equipes do Gaeco na Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) (Foto: Caio Tumelero)

Dono da empresa JR Comércio e Serviços, Adir Paulino recebeu a polícia na chácara em que mora em Terenos – a 17 quilômetros de Campo Grande. Em um dos quartos, equipes do Batalhão de Choque encontraram um revólver calibre 32, com quatro munições – duas intactas e duas deflagradas. Por isso, acabou preso em flagrante.

Na delegacia, ele contou que a arma era do pai, que morreu em 2019 aos 92 anos. Afirmou que o revólver está na família há 100 anos e que nunca usou, apenas guardava em casa.

Mais que isso, o empreiteiro – que no boletim de ocorrência é apresentado como motorista autônomo – revelou que vende queijos e outros produtos e que ganha pouco mais de R$ 2.500,00 por mês.

Depois do depoimento, pagou uma fiança de R$ 1.320,00 e foi liberado; mas a realidade contada por ele é bem diferente do motivo que levaram seu nome até os promotores do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Adir é investigado por receber dinheiro da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) por serviços que não foram realizados.

Em 2017, ano em que começaram as fraudes em licitações na área da infraestrutura da Capital, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a empresa de Adir assinou um contrato de R$ 34,6 milhões com a locação de quatorze máquinas de tipos diferentes para a prefeitura por um ano.

Nessa época, Marquinhos Trad (PSD) assumia pela primeira vez a prefeitura de Campo Grande e Rudi Fiorese era o escolhido por ele para comandar a Sisep; onde permaneceu até janeiro deste ano. O ex-secretário também foi alvo de busca e apreensão pela operação.

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Para o Ministério Público, Adir recebeu os valores sem ter de fato realizado os serviços. Outras empresas como a dele, foram alvos da ação: AL dos Santos e Cia, ALS Transportes, Engenex Construções e Serviços, MS Brasil Comércio e Serviços, além da própria Sisep.

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