Empresária planejou morte de Nery e marido bancou execução, diz MPE
Segundo as investigações, o litígio se arrastava por décadas, mas a vitória definitiva de Renato Nery gerou um inconformismo intenso no casal, especialmente na empresária, que, conforme a denúncia, chegou a expressar publicamente sua indignação e ódio contra o advogado.
A empresária Julinere Goulart Bentos e o produtor rural Cesar Jorge Sechi agiram como mentores intelectuais e financiadores do assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho do ano passado.
A denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPMT) contra o casal aponta que eles apresentavam grande ressentimento, após perderem uma disputa judicial por uma extensa área territorial em Novo São Joaquin (493km de Cuiabá).

Segundo as investigações, o litígio se arrastava por décadas, mas a vitória definitiva de Renato Nery gerou um inconformismo intenso no casal, especialmente na empresária, que, conforme a denúncia, chegou a expressar publicamente sua indignação e ódio contra o advogado.
Testemunhas afirmam que ela proferiu ameaças de morte claras e diretas, com frases como “ele não ia viver para gastar o que tomou dela”, palavras que se concretizaram com o brutal assassinato.
A própria Julinere, em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), admitiu sua participação no planejamento do homicídio. Cesar, por sua vez, teria ficado responsável por viabilizar o dinheiro para arcar com o crime.
A investigação detalha que Julinere e Cesar Sechi, movidos pela vingança e pelo ressentimento, comandaram o crime, demonstrando uma postura fria e calculista ao usar o assassinato para tentar reverter o insucesso judicial.

Diante disso, o Ministério Público qualifica o homicídio como triplamente qualificado — por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum — e aponta que o casal integra uma organização criminosa.
“A torpeza evidencia-se pela motivação mesquinha dos denunciados que, não se conformando com decisão judicial que beneficiou a vítima Renato Gomes Nery na disputa fundiária, coordenaram sua execução movidos exclusivamente por vingança e ganância”, diz trecho da denúncia.
A investigação revelou que o homicídio foi planejado e executado por uma organização criminosa estruturada, com divisão clara de funções entre os envolvidos, formando núcleos distintos:

- Núcleo de Comando
- Mandantes: Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi.
- Motivação: insatisfação com a decisão judicial favorável à vítima, relacionada a uma disputa territorial no Município de Novo São Joaquim/MT.
- Responsabilidades: planejamento do crime, articulação e financiamento da execução.
- Núcleo de Intermediação
- Composto pelos policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira.
- Função: mediação entre os mandantes e os executores, fornecimento da arma e coordenação operacional.
- Detalhes: Ícaro forneceu a arma com adaptador para disparo em rajada e cuidou do repasse do pagamento. Jackson foi o principal intermediário e articulador com os policiais envolvidos.
- Núcleo Operacional
- Responsáveis pela execução do crime: Heron Teixeira Pena Vieira (coordenador operacional) e Alex Roberto de Queiroz Silva (executor material).
- Ação: monitoraram a rotina da vítima e realizaram o assassinato com uso de arma de fogo municiada, em via pública e horário comercial.
- Núcleo de Obstrução
- Responsável por ações posteriores ao crime para dificultar as investigações.
- Atividades: ocultação da arma do crime, inserção dela em contexto forjado, e demais atos para confundir a polícia.
Características da Organização
- A atuação da organização foi planejada e meticulosa, demonstrando coordenação entre os núcleos.
- O crime foi executado com emprego de meios que trouxeram perigo à coletividade, pois foi em local público e horário movimentado.
- O pagamento pela execução foi de R$ 200.000,00, reforçando o caráter criminoso organizado e a divisão clara entre mandantes, intermediários e executores.
- A participação de policiais militares no esquema, como Jackson e Ícaro, evidencia a infiltração da organização em órgãos públicos, ampliando o risco social e a complexidade do crime.
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