Ex-marido de Raquel Cattani diz que separação partiu dele e contesta acusação no júri
Romero Xavier Mengarde negou envolvimento no crime e afirmou que o casal já estava separado havia cerca de 30 dias.
O ex-marido da produtora rural, Raquel Cattani, Romero Xavier Mengarde negou, nesta quinta-feira (22), durante julgamento, envolvimento no assassinato da ex-mulher em 2024, afirmou que a separação partiu dele e disse que o casal já estava separado de fato havia cerca de 30 dias. O depoimento foi prestado ao Tribunal do Júri de Nova Mutum (MT).

Também responde pelo crime o cunhado da vítima, Rodrigo Xavier Mengarde. Segundo a acusação, Romero teria planejado o assassinato e encomendado o crime ao próprio irmão, que teria executado Raquel dentro da casa onde ela morava pela quantia de R$ 4 mil. A vítima era filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).
Raquel Cattani foi morta com mais de 34 facadas, conforme apontado na investigação.
O julgamento
O julgamento ocorre no Fórum de Nova Mutum e é presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski. A sessão começou por volta das 8h20, com o sorteio dos sete jurados responsáveis pela decisão.
O primeiro a depor foi o delegado Guilherme Pompeo, que explicou como a Polícia Civil chegou à conclusão de que Rodrigo foi o autor das facadas e que o crime teria sido planejado por Romero. Ele descreveu a cena do crime, apontou sinais de arrombamento, as lesões de defesa e afirmou que dados de celular e registros de internet foram fundamentais para reconstruir a dinâmica do assassinato.
Na sequência, o delegado Edmundo Félix de Barros Filho confirmou os resultados da investigação. Segundo ele, Rodrigo não tinha vínculo com Raquel nem motivo próprio para matá-la. O delegado relatou depoimentos que indicaram um histórico de controle, perseguição e violência psicológica por parte de Romero, além de indícios de planejamento do crime.

Depoimento da mãe de Raquel
Ainda pela manhã, foi ouvida Sandra Cattani, mãe da vítima. Ela contou como encontrou a filha morta dentro da residência, falou sobre a separação definitiva do casal e descreveu a dor deixada nos filhos de Raquel.
Testemunhas da defesa
À tarde, prestaram depoimento testemunhas indicadas pela defesa de Romero, entre elas Marcos Bilibio, além de Anderson de Barros Sampaio e Samoel Marcos da Conceição. Eles relataram encontros com Romero na noite do crime, principalmente em bares e casas noturnas, apresentados como álibis.
O que Romero disse
Em depoimento iniciado à tarde e ainda em andamento, Romero afirmou que os fatos narrados na denúncia do Ministério Público não são verdadeiros. Disse que a separação do casal partiu dele, que não houve separação formal em cartório, mas que estariam separados de fato havia cerca de 30 dias.
Ele afirmou que comunicou o fim do relacionamento aos pais de Raquel e que se mudou para Lucas do Rio Verde (MT) após o término, com o objetivo de reorganizar a própria vida.
Relação com o irmão
Romero também falou sobre a relação com o irmão Rodrigo, que classificou como difícil e marcada por conflitos antigos. Disse que, no passado, soube de furtos atribuídos ao irmão, relatou que chegou a recuperar um celular que estaria com ele e afirmou que orientou Rodrigo a deixar a cidade, ajudando-o a viajar de ônibus.
Segundo Romero, anos antes, percebeu o desaparecimento de itens do freezer da casa onde morava com Raquel, fato que atribuiu ao irmão e que teria causado desgaste no relacionamento do casal.
O crime
O assassinato ocorreu em julho de 2024. Raquel Cattani foi encontrada morta dentro da própria casa, no assentamento Pontal do Marapé, a cerca de 130 quilômetros de Nova Mutum.
De acordo com a Polícia Civil, Romero não aceitava o fim de um relacionamento de aproximadamente dez anos e teria criado diversos álibis para tentar despistar as investigações, incluindo encontros com ex-sogros, participação em churrascos e idas a boates na cidade de Tapurah (MT).
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