Ex-médico Rondon morreu quando começava a cumprir pena de 35 anos de reclusão

Na década de 1990, ele operou mais de uma centena de mulheres sem ter qualificação para isso

O ex-médico Alberto Jorge Rondon de Oliveira morreu aos 65 anos, pouco mais de 10 dias depois de começar a cumprir condenação a 35 anos de prisão por lesão corporal e estelionato, em razão de procedimentos que fez em mulheres que acabaram mutiladas, pois não era especialista em cirurgia plástica. Foram mais de uma centena de vítimas em Campo Grande, na década de 1990.

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O ex-médico Rondon entra em viatura policial. (Foto: Reprodução TV Morena)

Essa punição deveria ser em regime fechado no início. Porém, em razão das condições de saúde do condenado, a Justiça manteve a prisão domiciliar de caráter humanitário. Rondon sofria de câncer na laringe.

De acordo com as informações disponíveis no sistema de execução penal, a guia de execução dessa pena foi iniciada em 31 de maio deste ano, depois que se esgotaram todas as tentativas da defesa de recorrer contra a sentença.

Do que se trata

O ex-médico estava em cumprimento de uma condenação a 13 anos e meio de reclusão, por lesões provocadas em 12 mulheres, na década de 1990. Ele chegou a ser preso em 2013, para cumprir essa condenação, mas acabou sendo solto e só voltou a ir para a cadeia em 2019.

Já estava doente, conforme as solicitações da defesa, e por isso conseguiu a prisão domiciliar com o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

O corpo do ex-médico, que também chegou a ocupar uma vaga de deputado estadual, foi sepultado nesse domingo (12), em Campo Grande.

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O Primeira Página procurou o advogado que atendia o ex-médico, Tiago Bunning, que preferiu não se manifestar em razão do momento de luto.

Indenizações

Mais de uma centena de mulheres tiveram sequelas, como por exemplo cicatrizes irreversíveis, em procedimentos feitos por Rondon. Ele se apresentava como cirurgião plástico sem ter qualificação para isso.

Além das condenações criminais, houve também determinação de pagamento de indenização às vítimas, da parte do CRM (Conselho Regional de Medicina). A reportagem solicitou à entidade de classe informações sobre como está esse processo e aguarda o retorno.

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