Ex-procurador da ALMT matou morador em situação de rua por vingança, diz MP
Ministério Público aponta que o crime foi motivado por vingança após o veículo de luxo do acusado ser danificado em um posto de combustíveis.
O Ministério Público de Mato Grosso afirmou que o ex-procurador da Assembleia Legislativa, Luiz Eduardo Figueiredo Rocha Silva, matou o morador em situação de rua Ney Müller Alves Pereira, de 42 anos, por vingança após o veículo que dirigia, uma Land Rover, ter sido danificado em um posto de combustíveis. O crime ocorreu no dia 9 de abril deste ano, perto da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

De acordo com o promotor de Justiça Samuel Frungilo, os indícios reunidos na investigação mostram que o assassinato foi motivado por retaliação. Testemunhas relataram que Ney foi apontado como responsável por causar avarias no carro do ex-procurador, que, horas depois, decidiu procurá-lo e disparou contra ele. O tiro atingiu o rosto da vítima, que morreu no local.
“Os elementos indiciários constantes nos autos apontam que o crime teria sido cometido por motivo torpe, consistente na vingança em decorrência das avarias causadas pela vítima no veículo do acusado”, disse o promotor.
O MP destacou que as provas digitais reunidas no processo permitem uma análise segura da ação. O órgão apontou que, desde a aproximação até o momento em que a vítima cai ao solo, tudo ocorre em cerca de quatro segundos. Para o promotor, o objetivo do acusado não era acionar as autoridades, mas punir pessoalmente o responsável pelos danos no automóvel.
A defesa, representada pelo advogado Rodrigo Pouso, alega que o disparo foi acidental e ocorreu em um momento de tensão, quando a vítima teria se aproximado de forma agressiva. A promotoria, no entanto, contesta a versão e classifica o ato como uma execução movida por vingança e futilidade.

A denúncia foi aceita pela Justiça, que tornou o réu responsável por homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público também pediu que, em caso de condenação, seja fixado um valor mínimo de indenização por danos morais e materiais à família da vítima.
O ex-procurador é servidor efetivo da Assembleia Legislativa desde 2015 e recebe salário de aproximadamente R$ 44 mil, segundo o Portal da Transparência. Em 2023, foi homenageado com o título de cidadão mato-grossense. Após o crime, ele se apresentou à polícia e teve a prisão convertida em preventiva. Está custodiado na Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, em Rondonópolis, unidade considerada mais adequada para o perfil do detento.
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