"Fizessem direito"; diz PX sobre a morte do filho em seu lugar

O ex-capitão da Polícia Militar Paulo Xavier, pai de Matheus, conversou com a imprensa nesta terça-feira (18), 2º dia de júri sobre a morte do filho

O ex-capitão da Polícia Militar Paulo Xavier, pai de Matheus, falou com a imprensa logo na chegada ao Fórum de Campo Grande, na manhã desta terça-feira (18).

Mãe e Pai de Matheus Coutinho Xavier
PX conversa com a ex-mulher, Cristiane Coutinho; ela é mãe de Matheus e atua como assistente de acusação (Foto: Gustavo Arakaki)

Após depoimento emocionado, na segunda-feira (17), PX descreveu o que sente, quatro anos após a morte do filho, e destacou que o desejo de Justiça dele é intenso por saber que Matheus morreu em seu lugar.

“Quando eu vim pela primeira vez declarar em júri, fazia um ano [do crime], e eu falei que a dor só aumentava. Hoje, passados quatro anos, a dor só aumenta. Quando você perde um filho, é muito dolorido, num acidente, ou qualquer outra adversidade. Mas, quando ele vai no seu lugar, a responsabilidade em buscar a justiça é muito maior”.

PX também revelou o motivo de ter permitido que os réus continuassem no Plenário do Tribunal do Júri durante seu depoimento.

PX, o pai de Matheus Coutinho Xavier (Foto: Geisy Garnes)
PX, o pai de Matheus Coutinho Xavier (Foto: Geisy Garnes)

“Ontem, quando o Jamil Name ficou me encarando de maneira agressiva e o juiz, percebendo, perguntou se eu queria que eles saíssem para eu falar, eu disse que não, porque, tudo o que eles podiam fazer de mal pra mim, já fizeram. Então, estou aqui, na sobrevida, buscando Justiça, não só para mim, mas por outras pessoas que estão aguardando o desfecho desse julgamento para vir denunciar e, quem sabe recuperar aquilo que foi roubado. E que façam denúncias para que outros homicídios bárbaros que acontecem em nosso estado, há 40 anos, venham à tona e que eles também possam responder”.
PX repetiu que a morte do filho foi um castigo pior que sua própria morte.

“Se quissem me matar, tudo bem, eu faria minha passagem, mas fizessem bem feito”
Para ele, a morte do filho foi tratada como algo banal, justamente porque a família Name estava acostumada com a impunidade.

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