Frei Gilson é denunciado por falas homofóbicas e misóginas
A repercussão mais recente iniciou após a circulação de um vídeo em que o frei associa o empoderamento feminino a uma “ideologia dos tempos atuais” e defende a liderança masculina no lar.
O sacerdote católico Frei Gilson foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo por supostas declarações homofóbicas e misóginas durante homilias e declarações nas redes sociais. Ao Primeira Página, a instituição confirmou que a representação está sob análise.
A denúncia foi feita pelo escritor e jornalista Brendo Silva, autor do livro ‘A vida Secreta dos Padres Gays’.

Conhecido por mobilizar multidões em transmissões religiosas e eventos, Frei Gilson tem mais de 12,8 milhões de seguidores nas redes sociais e acumula uma série de falas consideradas controversas envolvendo temas como feminismo, racismo, aborto, política e relações homoafetivas.
Na última semana, ele foi alvo de críticas nas redes sociais após fazer declarações sobre o papel da mulher dentro da família, em fala considerada misógina pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que chamou o frei de “falso profeta”.
As falas criticadas são de lives de pregações e programas do religioso, feitas entre 2021 e 2025, e que voltaram a viralizar nas redes nos últimos dois anos, principalmente em vídeos curtos.
A repercussão mais recente iniciou após a circulação de um vídeo em que o frei associa o empoderamento feminino a uma “ideologia dos tempos atuais” e defende a liderança masculina no lar.
Na gravação, ele afirma que “Deus deu ao homem a liderança” e que “o homem é o chefe do lar”, acrescentando que a mulher teria “desejo de poder” ao buscar mais autonomia. Em outro momento, diz que “a guerra dos sexos é ideologia pura” e chega a classificá-la como “diabólica”; veja abaixo:
Em outros vídeos que circulam nas redes, Frei Gilson também comenta os debates sobre racismo ao dizer que vivemos em uma “geração do mimimi”. Em um momento diferente, durante uma oração, ele participou de um apelo para o país ser livre do “flagelo do comunismo”, o que também gerou críticas por misturar religião com posicionamento político.
A denúncia
Segundo o jornalista e escritor Brendo Silva, que fez a denúncia, o religioso teria utilizado, em homilias, entrevistas e redes sociais, falas que tratam a homossexualidade com terminologias consideradas ultrapassadas, como “homossexualismo”, além de associá-la a ideias de “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”.
Até o momento, Frei Gilson não se manifestou sobre o assunto.
Quem é Frei Gilson
Natural da cidade de São Paulo, o frei entrou para a vida religiosa aos 18 anos. Em dezembro de 2013, foi ordenado sacerdote e assumiu a função de pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, no ano seguinte.
Membro dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, ele também lidera o ministério musical “Som do Monte”. No Spotify, conta com mais de 1,8 milhão de ouvintes mensais.
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