Funcionário de empresa em MT é suspeito de desviar R$ 1,47 milhão de clientes para casas de apostas

Wesley Francisco responde por 290 furtos qualificados e lavagem de dinheiro; segundo a Justiça, valores passaram por contas de terceiros e casas de apostas para dificultar o rastreamento.

Um funcionário de uma empresa de crédito é suspeito de desviar aproximadamente R$ 1,47 milhão de clientes por meio de centenas de operações e encaminhar parte dos valores para contas de terceiros e casas de apostas. Wesley Francisco responde na Justiça por 290 furtos qualificados e 290 atos de lavagem de dinheiro.

O caso tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá e voltou a ser analisado após a defesa pedir que Wesley fosse submetido a uma perícia médica e psiquiátrica. O pedido, no entanto, foi novamente negado nessa quinta-feira (13) pela Justiça.

Fórum de Cuiabá
Funcionário é suspeito de desviar R$ 1,47 milhão de clientes – Foto: TJMT/Assessoria

De acordo com a decisão judicial, os crimes teriam ocorrido entre 11 de janeiro e 7 de julho de 2023.

Conforme o processo, Wesley teria acessado repetidamente contas de clientes e desviado os valores para a própria conta e para contas de terceiros, entre eles familiares e amigos que não teriam conhecimento da origem do dinheiro.

A Justiça aponta ainda que o dinheiro foi posteriormente distribuído para casas de apostas com o objetivo de dificultar o rastreamento dos valores. As movimentações teriam ocorrido de forma sequencial ao longo de mais de 290 operações.

Funcionário de uma empresa de crédito é suspeito de desviar cerca de R$ 1,47 milhão de clientes em 290 operações.
Funcionário de uma empresa de crédito é suspeito de desviar cerca de R$ 1,47 milhão de clientes em 290 operações. – Foto: Ilustração

Defesa pediu avaliação psiquiátrica

Durante o processo, a defesa apresentou documentos médicos, previdenciários e financeiros e pediu a realização de uma perícia para avaliar a saúde mental do acusado.

O argumento é de que a condição psiquiátrica apresentada por Wesley poderia ter afetado a capacidade dele de controlar os próprios atos na época dos crimes. A defesa também pediu a abertura de um incidente de insanidade mental, que poderia suspender o andamento da ação enquanto a condição do réu fosse avaliada.

Entre os documentos apresentados estavam laudos do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), atestados médicos, extratos previdenciários e informações sobre inadimplência.

O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, porém, considerou que os documentos não demonstram uma dúvida concreta sobre a capacidade de Wesley de compreender o que fazia no período investigado.

A decisão destaca ainda que o acusado somente buscou acompanhamento especializado no CAPS Flor do Amanhecer em setembro de 2025, mais de dois anos depois dos fatos investigados.

Entenda o caso
R$ 1,47 milhão desviados em centenas de operações
Funcionário de empresa de crédito responde por furtos qualificados e lavagem de dinheiro
R$ 1,47 mi
valor aproximado que teria sido desviado de clientes
290
furtos qualificados atribuídos ao réu
290
atos de lavagem de dinheiro apontados no processo
Como o esquema teria funcionado
1. Acesso a contas de clientes
Segundo o processo, o funcionário teria acessado repetidamente contas de clientes da empresa.
2. Transferências para várias contas
Os valores teriam sido enviados para a própria conta e também para contas de familiares e amigos.
3. Dinheiro levado a casas de apostas
Parte dos recursos teria sido encaminhada para casas de apostas, o que, segundo a Justiça, dificultaria o rastreamento do dinheiro.
Linha do tempo
11 de janeiro a 7 de julho de 2023
Período em que os crimes teriam sido praticados.
Setembro de 2025
Réu iniciou acompanhamento especializado no CAPS, segundo a decisão judicial.
13 de agosto de 2026
Justiça negou novamente o pedido de perícia médica e psiquiátrica.
E agora?
O processo seguirá para memoriais finais. Ministério Público, assistente de acusação e defesa deverão apresentar as últimas manifestações antes da decisão judicial.
Fonte: processo que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá

Justiça cita sequência das movimentações

Ao manter a negativa da perícia, o magistrado também citou a forma como os desvios teriam sido executados. Para a Justiça, o acesso reiterado às contas de clientes, as transferências para diferentes pessoas e o posterior encaminhamento dos valores para casas de apostas indicam uma atuação organizada e sequencial.

A decisão afirma que essa dinâmica sinaliza que o acusado compreendia os próprios atos e a necessidade de dificultar a identificação da origem dos valores.

O juiz também entendeu que a defesa não apresentou elementos técnicos que estabelecessem uma relação direta entre o transtorno do jogo patológico alegado e os crimes atribuídos ao acusado.

Com o pedido de reconsideração negado, o processo seguirá para a fase de memoriais finais. Primeiro, o Ministério Público será intimado a apresentar suas alegações e, na sequência, o assistente de acusação e a defesa deverão se manifestar.

O Primeira Página tenta contato com a defesa de Wesley Teixeira. O espaço segue aberto.

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