Gaeco pede condenação e perda de cargo para delegado e policial civil

Ao longo de 193 páginas, os promotores do Gaeco reforçam a participação de vários suspeitos. No fim das investigações, 21 pessoas foram levas à justiça

Na reta final do processo que investiga o envolvimento de policiais com grupos criminosos liderados por Jamil Name e Fahd Jamil, o Gaeco (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) pediu à justiça pela condenação e perda da função pública para o delegado Márcio Shiro Obara e do investigador Célio Rodrigues Monteiro.

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Obara em entrevista a TV Morena quando ainda era delegado da DEH (Foto: Arquivo/ TV Morena)

O delegado e o investigador foram alvos da 3° fase da Operação Omertà. Na lista de acusação estão os crimes de corrupção passiva, obstrução à justiça nas mortes e lavagem de capitais.

Para o Gaeco o delegado agiu contra a própria profissão e protegeu os mandantes dos assassinatos do policial militar Ilson Martins Figueiredo e de Alberto Aparecido Roberto Nogueira o “Betão”.

Durante o tempo que foi delegado titular da Delegacia de Homicídios, Obara teria aceitado propina, devolvido provas sem qualquer tipo de perícia ou cópia, ter coagido colegas e tentado, de todas as maneiras, proteger os chefes dos dois maiores grupos criminosos de Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande estavam Jamil Name e Jamil Name Filho, donos de um império clandestino do jogo do bicho, armados por uma rede de corrupção dentro da segurança pública do Estado. O principal apoio para as ações criminosas na capital estava na fronteira, sob liderança de Fahd Jamil e Flávio Correia Jamil Georges.

Foi possível constatar a existência de uma outra organização criminosa, com a base na cidade de Ponta Porã, liderada por Fahd Jamil e Flávio Correia Jamil Gorges, “Flavinho”, que apoiava/auxiliava a organização criminosa liderada por Jamil Name e (“JN” e/ou “VELHO”) e Jamil Name Filho (“JAMILZINHO” e/ou “GURI”).

Essa ligação fazia com que as duas famílias dividissem também as mesmas “vinganças” e promovessem juntas diversas de execuções com fuzis e diversos tiros. Foi o caso de Figueiredo e Betão.

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Obara, com ajuda de Celio, ocultou provas de todo o esquema de assassinatos para impedir a descoberta dos mandantes. Em tronca, recebeu dinheiro e repassou valores para o investigador da sua delegacia, que também estava envolvido com o grupo criminoso. Justamente por isso, os promotores que atuaram na Omertà pediram pela condenação de todos do delegado, do policial civil, do ex-guarda municipal Marcelo Rios e dos quatro chefes dos grupos.

Além disso, o Gaeco reforçou a necessidade de Obara e Célio perderam o cargo público assim que condenados.

Ao longo de 193 páginas, os promotores do Gaeco reforçam a participação de vários suspeitos, usaram trechos de depoimentos e fotos de conversas interceptadas ao longo dos meses de investigação. Ao fim das ações policiais, a força-tarefa da Omertà entregou para a justiça o nome de 21 integrantes da quadrilha de Jamil Name, vários deles de dentro da guarda municipal e da Polícia Civil do Estado.

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