Gaeco prende 4 em investigação contra desvio de dinheiro da merenda em Água Clara

Operação cumpriu 11 mandados nesta segunda-feira (14) e investiga suposto esquema envolvendo servidoras públicas e um empresário local

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta segunda-feira (14) operação contra um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de alimentos para a merenda escolar de Água Clara, a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande.

Barattieri
Apenas parte dos produtos adquiridos para as escolas eram entregue (Foto: MPMS/Arquivo)

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no município.

Conforme o MPMS, as investigações começaram a partir de provas descobertas em outra operação, a “Malebolge”, realizada em fevereiro do ano passado. A apuração apontou a existência de um esquema envolvendo servidoras públicas de Água Clara e um empresário local.

As servidoras teriam solicitado vantagens indevidas ao empresário e para viabilizar os pagamentos, superfaturavam as ordens de compra emitidas pelo município. Segundo as investigações, apenas parte dos produtos adquiridos para as escolas eram efetivamente entregue.

Nome da operação

O nome “Barattieri” faz referência à Divina Comédia, obra clássica do escritor italiano Dante Alighieri.

Na representação do Inferno feita pelo autor, os “Barattieri” são pessoas que negociam o exercício de funções públicas em troca de vantagens indevidas. A escolha do nome faz referência justamente à suspeita de corrupção e desvio de recursos públicos investigada na operação.

Malebolge

Em fevereiro do ano passado, o MPMS cumpriu 39 mandados de busca e apreensão nos municípios de Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos.

Na época, a investigação mirava um organização criminosa, que por meio de servidores públicos, direcionava as licitações para beneficiar empresas participantes do esquema, mediante a elaboração de editais moldados em contratos que ultrapassavam a casa dos R$ 10 milhões.

O esquema também envolvia o pagamento de propina aos agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços, além de acelerarem os trâmites administrativos necessários para o pagamento de notas fiscais decorrentes de contratos firmados entre os empresários e o poder público.

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