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Por Francisca Medeiros

Hospital privado propõe comprar Santa Casa de Cuiabá por R$ 20 milhões

Proposta apresentada por instituição privada será avaliada diante de dívida superior a R$ 47 milhões.

Uma proposta de R$ 20 milhões para a compra do imóvel que abriga o complexo da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá passou a ser analisada pela Justiça do Trabalho. A oferta foi apresentada pelo Instituto São Lucas, mantenedor do Hospital Hilda Strenger Ribeiro, no processo de execução trabalhista que envolve a instituição hospitalar.

De acordo com a proposta, R$ 15 milhões seriam pagos à vista, enquanto os R$ 5 milhões restantes seriam parcelados em até seis meses. A documentação institucional e os documentos dos representantes legais do instituto foram anexados ao processo junto com a manifestação de interesse na aquisição do imóvel.

Deputado aciona Justiça para barrar venda da Santa Casa de Cuiabá. (Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT)
Proposta de R$ 20 milhões por imóvel da Santa Casa de Cuiabá entra em análise da Justiça (Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT)

Em decisão recente, a Justiça determinou a abertura de prazo de cinco dias para que os advogados da Santa Casa e a Comissão de Credores se manifestem de forma fundamentada sobre a proposta apresentada. Após esse período, o Judiciário irá avaliar se o valor ofertado é suficiente ou se pode ser considerado vil diante do contexto do processo.

Caso a proposta seja considerada válida, será publicado um edital para permitir que outros interessados apresentem ofertas superiores. Se não houver concorrência, o imóvel poderá ser vendido pelo valor já proposto, desde que a Justiça entenda que ele atende aos critérios legais para a alienação judicial.

Venda da Santa Casa de Cuiabá

Proposta de compra do imóvel, dívida trabalhista e fatores que influenciam a decisão judicial.

Proposta: R$ 20 mi Dívida: R$ 47,36 mi Ocupação: até abr/2026
Proposta total

R$ 20 milhões

Oferta para aquisição do complexo da Santa Casa.

R$ 15 mi à vista
R$ 5 mi parcelado
Avaliação judicial

25,56%

Percentual do valor ofertado em relação à avaliação homologada.

Dívida trabalhista

R$ 47,36 milhões

Passivo consolidado envolvendo créditos e execuções.

Contas judiciais

R$ 2,95 milhões

Saldo disponível vinculado ao processo.

Situação do imóvel

Ocupado pelo Estado

Requisição administrativa impede posse imediata do comprador e influencia o valor da negociação.

Resumo: dívida de R$ 47 milhões supera proposta de R$ 20 milhões.
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Dívida trabalhista supera R$ 47 milhões

O valor de R$ 20 milhões representa cerca de 25% da avaliação judicial do imóvel, homologada em 2025. O percentual chama atenção diante do tamanho do passivo trabalhista da Santa Casa, que soma mais de R$ 47 milhões, incluindo créditos trabalhistas, FGTS, honorários advocatícios, verbas acessórias e execuções fiscais.

Além disso, existem débitos relacionados a empregados da antiga Santa Casa que permanecem em atividade desde 2019, responsáveis pela manutenção dos serviços essenciais. Também há despesas pendentes referentes aos exercícios de 2023, 2024 e 2025, que deverão ser consideradas no processo de pagamento aos credores.

Requisição do governo e tombamento pesam na decisão

Entre os fatores destacados para a análise da proposta está a requisição administrativa do imóvel pelo governo de Mato Grosso, que utiliza o prédio para a prestação de serviços de saúde. Embora a desocupação estivesse prevista inicialmente para o fim de 2025, o Estado informou que deverá permanecer no local ao menos até abril de 2026, com possibilidade de prorrogação.

Enquanto durar a requisição, o eventual comprador não poderá tomar posse do imóvel, o que gera insegurança jurídica e impacta diretamente o valor e as condições da negociação. A Justiça também alertou para o risco de deterioração do prédio após a futura desocupação, já que se trata de uma edificação antiga que exige manutenção especializada.

Outro ponto relevante é que a fachada principal da Santa Casa é tombada como patrimônio histórico estadual, o que impõe restrições legais para reformas e alterações estruturais, limitando possíveis usos do imóvel pelo futuro proprietário.

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